quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Tu és os meus dias

Meu amor,
Oh meu grande amor…
Meço em teus olhos o universo,
Em teus lábios a fonte da suavidade,
Onde percorro em desejos
Sempre que os nossos corpos se encontram.
Meu amor,
Oh meu grande amor…
As tuas mãos são asas
Onde viajo rasgando o infinito dos céus,
O toque anuncia primaveras,
Amarrando os corpos prisioneiros,
Humedecendo as estrelas candentes
Naquele momento quando estamos os dois.
Meu amor,
Oh meu grande amor…
Não vivi antes,
Nem o tempo sorriu a sua existência,
Enquanto não recebi os teus beijos,
E floresceste em mim todos os dias.

domingo, 25 de julho de 2010

A sede é uma estrela

A sede é uma estrela, um ponto na garganta e dai há-de despontar uma gota, fermentar aquele fogo de água a que os viajantes dão múltiplos usos. No meio da praça os blindados, tu paras o trânsito com a curva das tuas pernas. No discurso da tomada de posse do governo revolucionário não há nenhuma referência ao facto do trânsito ter parado fixado na curva das tuas pernas. A este respeito o bibliotecário levantou a mão e sugeriu uma relação entre a curva da vírgula e o teu andar desajeitado. A água sai do cano - A sede parte do olho da metralhadora - Os antigos apontam dedos acusadores, tudo o que mexe leva em cheio com a pólvora da vingança. A sede é uma estrela, aquele ponto focado entre a indiferença e a aparência de que se vive. As tropas ainda estão na rua. O jovem capitão aponta o megafone, gesto decidido, grito implacável para que a voz e a vontade não fraquejem. Aquele é um grito que sai do estômago do povo. O medo desaparece como fumo, vamos recitar os poemas trancados nas gavetas, não são poemas ilustres, não são canções sublimes, mas o gosto de nos sentirmos vivos é forte. A sede é uma estrela, Lisboa é um perfume, uma especiaria metida debaixo da língua. Representamos novos papéis, o teatro exige que temos de representar com mais convicção. O teatro é uma chama, é o teatro que nos levanta os pés do chão. Tu no meio do palco exibes de diferentes ângulos as curvas das tuas pernas, tu desafias, tu provocas os actores, excitas os fotógrafos, enciúmas as mulheres deles levando-as ao sangue e á loucura. Ligas um número de telefone á sorte, perdeste a inspiração, parece que o vento já não empurra o barco. Olhas na lista um número que em tempos estava costurado nas costas de um casaco, queres encomendar uma revolução, nos olhos da águia há a senha com o número da cadeira onde estarás sentada a ver o filme. São dez horas da manha. Adormeceste a ver o filme, na sala estúdio está o garanhão, è a alcunha do actor, ele anda perto dos cinquenta, ele agarra a cabeça dela, faz a boca dela deslizar, parece que navega.Posto de comando do movimento das forças armadas. As mulheres da vida estão na rua, legalizem as actrizes porno, ajudem os poetas que não conseguem vender os seus versos para que não acabem os dias sem amor e sem fortuna, para eles um pé-de-meia tão rico como um enxoval. Adormeceste a ver o filme, comias bolas de Berlim, leste nos jornais sobre o muro de Berlim que caiu como um pesadelo da cama estreita, depois explode. É o medo dos que foram oprimidos, a fome a angustia, as pernas paralisadas, mas o pesadelo que simboliza essas fraquezas agora se tornou o monstro dos braços e das pernas fortes. Os olhos podem sair do chão e olhar o céu. Não vamos permitir que escolham os livros que devemos ler ou quem vamos amar. Aquele muro caiu é o tempo de recomeçar todas as viagens.Anda o tractor sulcando os grãos. A terra é de quem a trabalha e estas palavras de ordem parecem assim como os filhos serem dos pais porque estes trabalham com mãos e braços e beijos húmidos a terra dos seus corpos. A terra é dela mesma, que as mãos a mexam ou que a deixem em abandono, os homens são como os pássaros, provam as sementes e são sempre criaturas ingratas.A gratidão é como uma promessa que se cumpre e logo a seguir não fica mais nada a esperar. A ingratidão é a oportunidade de voltarmos a reatar o pacto. A pior coisa que tens de ouvir é de que tens de estar grato á família pela comida no prato, pelos lençóis na cama, deves agradecer a boa vontade, aquela maneira de tentarem que pagues o que eles disseram que te tinham dado. Tens um trabalho, ou um emprego, ou não fazes nada e quando o funcionário te olha como um parasita e pergunta como gastas os dias, respondes que os dias se gastam sozinhos. O funcionário abre a boca e cruza os braços, quando começou a trabalhar naquela repartição era ágil e parecia eficiente depois ganhou manhas, caminhava como a lesma e cruzava os braços, tinha aquele olhar e aquela frase como palha na boca do boi.- Temos de ter paciência, talvez para o ano a certidão esteja pronta, aviso que vão gastar mais de seiscentos mil Reis, é claro que aceito umas postas de bacalhau e uma garrafa de azeite, posso dar um jeito. Quando o rapaz terminar o exame de admissão, se ele quiser há aqui lugar, melhor que essa incerteza de viver ao sabor do destino, se ele for dedicado se tiver o sentido do dever e da obediência....O rapaz começou a virar do avesso, um certo inspector andava de olho nele e logo tinha dois lugares ou a prisão ou ir para África dar o corpo ao manifesto, não ia ao serviço da pátria, ia ao serviço de outros interesses, estava lá porque andava a fazer ondas, a espalhar ideias perigosas. Durante o tempo em África a família recebe algumas cartas, sabe que a criada deu á luz uma menina, a família dele tomam conta dela e da criança, um dever cristão segundo a mãe que anda nas mercearias a vender intrigas, pobre da moça, o meu filho é um herói, um verdadeiro homem, ela não está ao nível dele. Estamos permanentemente marcados pelo símbolo da virilidade, as instituições que lhe fazem propaganda ou que o tentam mostrar no que parece edificado são órgãos de impotência ou são de uma maneira subtil um apelo ao jogo debaixo da mesa. Comportamo-nos nas relações sociais com a vontade de fazer e de tocar mas temos medo. A instituição e a autoridade que é familiar, religiosa, militar e para militar consente a aproximação, todas as regras sofrem incumprimento e a homossexualidade está na lente do microscópio. O problema não é a homossexualidade, o problema é o uso desta, aquilo que debaixo dos cobertores é legítimo e debaixo dos cobertores faz calor, a instituição destapa mas não destapa completamente, não quer comprometer a sua fragilidade. Agora homens e mulheres habitam o mesmo espaço militar, Maria a criada gosta de sentir o poder de alguém exercido sobre ela, não é um poder imposto sem contestação é um poder absorvido, uma lógica que vem da ideia de que sempre foi assim, ela pode reivindicar no que diz respeito ao trabalho, lutar contra a exploração mas ela e ele não podem sair deste limite, do carimbo no meio da testa, da nódoa que fica. As mulheres exercem poder mas não são poderosas. Os homens são poderosos, tem o poder das ditaduras e o poder das revoluções. As mulheres sofreram verdadeiramente, os estilhaços caíram a seus pés. As mulheres podem decidir, podem jogar mas o poder de ver o jogo, de controlar é dos homens. Homem e mulher não podem sair deste limite, desta estrutura já enraizada. As mulheres transportam uma carga de frustração, durante muito tempo carregaram o fardo da prepotência masculina, ficaram sujeitas á vontade dos fracos, dos submissos ao capricho dos chefes, dos patrões, dos generais. As mulheres querem ocupar a cadeira vazia, as mulheres desejam a emancipação, mas na verdade elas nunca serão emancipadas, ninguém está verdadeiramente emancipado, ninguém é verdadeiramente livre a menos que tenha conquistado uma consciência de liberdade.Gabriela a feminista olhou-me e num tom de provocação disse que eu era general do estado-maior dos homofóbicos. Gabriela tem bichos na pele, costuma ir à Turquia tratar-se com peixes que comem as feridas. Não curam a verdadeira doença dela, o desejo de possuir um pénis, um pénis autoritário como um dedo apontado. Gabriela è um macho, o engano colocou-lhe uma vagina no meio das pernas. A sede è uma estrela, um ponto na garganta, no meio da praça ainda estão os blindados, as palavras flutuam no sorriso das bocas, ainda não estão contaminadas, tudo parece ainda muito novo, não sabemos como será o futuro mas acreditamos na verdadeira transformação, acreditamos que a autoridade será eliminada de todas as palavras. Lobo 010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

LINHA DO HORIZONTE

O tempo poisa sobre o mar, deixando do seu contacto as ondas. Ele revela o seu estado de espírito, como as palavras quando escrevo isto. A minha poesia é prosa, onde a Rosa põe as suas raízes com uma ironia de quem sorri, sem chegar a rir. Fica-se por descobrir a graça com que uma garça branca voa, o balanço da sua corrida para se erguer no ar. A linha nítida tida nesta escrita, neste olhar, é a linha do horizonte.

Lendo Osho como o acho, servido pelas imagens do mar embaladas com serena música. Liberto uma ironia tão subtil como um perfume quase... impalpável. Leio: «A mente é actividade absoluta. A mente corre, o ser senta-se. A periferia move-se, o centro não se move (OSHO)». Tenho um termo, uma palavra capaz de aproximar o horizonte: haraquiri. Uso-a a rir, deixo a ligação a haraquíri.

Quando o mesmo é o mesmo, mesmo diferente, entrámos: aos poucos... começamos a dominar a linguagem da gente. Ir às essências é procurar e descobrir o prazer e arte das especiarias, este tempero que é o alimento da flor que alimenta e cria raízes no coração.

amizade
ultrapassa tudo
todas as fronteiras
dela podemos dizer
ter raízes no coração
sem conhecer barreiras
para a verdade
!

domingo, 18 de julho de 2010

Página branca

É tarde
E o sol ganha guarida
No cume dos montes,
O tempo é pragmático
Segue o seu curso
Nas pegadas do vento

A brisa sopra suspiros da vida
A essência intensifica-se
E os olhos gastam as flores
Vindas da paisagem…

Os silêncios dançam amnésias
Que a memória soletra de cor…

…Pedaços de incertezas
São os traços futuros
Que o coração ainda não guarda…

É o incerto …
Que sentimos
Em cada página branca!

Ana Coelho


terça-feira, 29 de junho de 2010

Nem Terra, Nem Céu e Nem Nada

(imagem google)
*
Enquanto me não dispuser a viver
A vida dos mestres
Que se governam sozinhos
Em ermos distantes
Sem termos
Nem pressupostos
Nem leis
Nem armas
Nem fogo
Nem água
Nem ar
Nem terra
Nem céu
E nem nada

Viverei só no mundo
Que cai aos bocados
Nas mãos de quem
O acolhe
Como quem colhe
Frutos maduros
Mas apodrecidos
Nos pomares esquecidos

Abrirei os braços
E dir-te-ei de uma fome
Que alastra por todos
Os cantos da terra
Enquanto se gastam
As metades que dividem
O chão que pisas

Com 5 letras se escreve o mundo

Fecho as pálpebras,
Como duas asas que sentem o tempo,
Sentindo a tua boca na minha
Num beijo mudo.
Nesse perpétuo momento,
Onde o meu viver é o linho fresco da alvorada
Envolvendo a tua presença
Quando ambos exploramos os gestos
Em traços infinitos de desejo.
As minhas mãos prendem-se nas tuas
Em laços onde germinam mundos
Na inocência de sermos apenas nós os dois
Muito mais que a visão de um sonho.
Dizemos em segredo as palavras que sabemos,
Eternizando a paixão que nos abraça
Acendendo chamas infinitas no olhar
E nas cinco letras que preenchem o espaço
Quando dizemos apenas… AMO-TE!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

As mãos sobre o vidro

As mãos sobre o vidro e o vidro estilhaçado no corpo e é assim que a luz da paisagem caminha na tua pele e o teu corpo se abre ao meu como uma janela á madrugada. as mãos sobre o vidro e os olhos sobre o rio que corre e sobre o corpo que se ergue na sua luta contra a morte. as mãos sobre o calor da terra e a terra a respirar a tua boca com sede e eu sinto que é preciso ter sede para conquistar e amar o universo. as mãos sobre o vidro e o vidro que corta a luz dos olhos e os olhos que se fecham para guardar a intimidade da criação.

lobo

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Respiro o nosso amor

Meu amor,
Peço-te que inundes todo o meu ser
E transformes o meu deserto
Em jardins… com teus gestos
Paraísos onde me deito.
Pecados acesos,
Juras seladas em lacre de desejo
Onde as tuas mãos foram silêncio
Nas minhas ancoradas
Como barcos num cais.
Deixa-me sentir como o vento,
E assim perder o medo
Na comunhão de um olhar sentido
Transbordando emoções nos charcos
Onde dançamos e navegamos
Nos momentos em que nos perdemos.
A loucura que me acode
Divido todos os meus dias contigo
Regando a vida nos sabores perfumados
Cegos tempos permanecem em brilho
Até atingirmos o êxtase da primavera.
Quero sentir fogueiras em meus lábios
O encontro, que nos veste num beijo
Deslizando dedos em teus cabelos
Libertando sons em segredo
Feroz voo de um pássaro
Atravessando contigo o mundo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Fronteiras vazias

Um dia ouvi
Que por de trás do ódio
Existe amor!
Então meditei…
Vasculhei
O ódio em mim não encontrei…
Volvi assim
Todo o amor,
O presente sentido
E o deixado de lado
Pelos largos dias corridos…
…Retornei
Mais que uma vez…
…Não encontrei,
O ódio
Nem sombras
Em todos os largos amores
Vividos…

Encontrei sim!
Passado
Lembranças
Que fortaleceram o meu ser…
Fronteiras vazias
Sem ruído…

Ah! Mas não desisti!
Continuei…

E sim encontrei
O ódio em amargos olhares
Em escombros de mármore
Inanimados
Em descoloridas vidas
Com chagas abertas
Paradas no tempo
Num campo sem vento
E deitadas ao relento…

A razão, não sei!
Apenas persevero o meu trilho
Visto o molde do amor,
na exacta medida da razão...


Ana Coelho
- Truz, truz
- Entre
- Olá chamo-me Valkiria, escrevo versos e gostava de publicar um livro. Trago umas coisas.
- Deixe-me ver... os falsos imortais.
- Não, os imorais
- Minha cara Senhora isto é uma editora, não é uma fabrica de colchões, de qualquer forma posso falar com o meu primo, ele precisa de alguém com experiência na área do empilhamento.
- Mas eu sou uma poetisa, já ganhei o campeonato da rima aleijada.
- Estou a ver, acho que o meu primo a vai contratar
- Contratar-me?!
- Imagine esta publicidade. " rimas Valkiria enchem colchões de Portugal á Síria.

Valkiria tira um lenço branco da malinha de mão e sai a chorar do escritório do famoso editor ex errado de vinho. Não perca o próximo capitulo em que Valkiria planeia matar José Saramagro, autor do livro o memorial do emagrecimento.

Lobo 010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

As asas cortam como facas

As asas cortam como facas,sobrevoam o silencio das palavras olhares magros e incertos dos que caminham no vento. As asas cortam como facas as almas angustiadas dos que não arriscam qualquer destino, dos que preferem ficar para morrer. As asas não deixam adormecer e o ceu pode cegar erguer os braços, repirar beber o perfume gasto do mundo. As asas cortam como facas talvez os sonhos e quem sabe as mãos que na terra são como árvores . lobo 010

domingo, 4 de abril de 2010

Não te creio Senhor!?

Dei o meu corpo
ás tuas raízes…
Senhor
e também dei a alma
que te entrego fiel!
…doei-te o meu existir
nu a teu olhos
abro os braços febris,
abro o peito ao fogo que me habita,
e o sentir dilata-se
cresce, nos fios do teu lar
ou nas contracções dum sol
escorrendo sem rumo,
na vertente da face
onde separo a vida
…onde a fé é um eco
deste mundo em sangue…
Não te creio, Senhor!
…e sei que morro!
sabem as veias,
o acordar diurno das fogueira
…e sobe a solidão
na penumbra nocturna
cavada em restos de luar…
Não me sinto profeta!
Não o sou, sei-o!
não possuo no ventre
o ritual dos sábios
ou as encéfalos sem pele
dos mensageiros do céu!
…mas não te creio, não!
Senhor
agora os homens cantam,
e canto com eles
entoações cinzentas duma espera inútil
ao câmbio do tempo!
…Não! Não te creio!
suprimo à mente
a imagem do teu templo
recolho da razão íntima
todo o cepticismo,
que a certeza decifra
na própria incerteza!
Creio no irreal
no vazio indefinido do absurdo…
Na paz!
Busco-a no meu espaço,
mas não a tua paz
onde os deuses se enlaçam
e se abandona o real!
Senhor!
sim creio na paz
na que oculto no útero
com o fulgor bravio
do silêncio que invento,
lanço à tua silhueta
o meu discreto desafio!
Não, Senhor Deus
não te creio…
Contudo
invoco-te confuso
da certeza do teu existir!
desconheço-te!
…sabes o meu nome
…eu sei a distância
pelo tempo fora…

quarta-feira, 31 de março de 2010

Como umas asas na imaginação

Há um momento em que os dedos dos homens
parecem como bichos
quando os olhos deixam de chorar
á espera que o mar
guarde todos os amigos para consolar.

Há um momento em que a cidade
fica mais fantasma
quando perdemos a alma
como perdemos a noite
quando perdemos os olhos
porque não podemos recordar.

Há um momento em que os dedos dos homens parecem como bichos
em que as pernas já não conseguem andar
nem a boca falar
porque é dificil descrever a tristeza
que nos invade quando se pensa que
a vida fica tarde quando não bate o coração.


Há um momento que é facil
e parece dificil
quando é só começar

como umas asas na imaginação.

Há um momento em que os dedos dos homens parecem como bichos
em que o pensamento está doente e é dificil acreditar.

Há um momento que é facil
e parece dificil
quando é só começar
como umas asas na imaginação.

Lobo 010

Na penumbra do vácuo

São tão vazios os dias
Na penumbra do vácuo
O vento canta lá fora
Leva com ele folhas
Para o cume dos telhados

As nuvens choram
Em prantos húmidos
Nas costas do sol
A nostalgia vagueia
Pelas paredes brancas

O lume nos vidros
Crepita sonhos…

Utopias de gente que sente
Com medo dos gritos…

Voam nos planaltos aromas da terra
Buracos profundos
Que o espírito espanta
Na dor de não saber calar…

As árvores pintam o verde
Em branca flor…
O Inverno acena um adeus
Mas a Primavera
Teima em não chegar…

E será somente
Um dia vazio de Verão…

Ana Coelho



domingo, 21 de março de 2010



Trago nas mãos suaves

as cores singelas

as que iluminam

os dias mornos

da primavera.



sim!Aquelas!



as cores que me embalam

meus sonhos

de criança

aquelas

que me guiam

nas veredas

errantes.



Sim!Aquelas!



Novos odores

sentidos em alerta

Ah! corpo maduro

que já não teme

a descoberta.



Sim! Aquelas!



Primaveras nas telas da pintura

palavras suaves e profundas

na alma de um poeta.

Ah! E sou eu

aqui debaixo deste sol

ameno da estação mais bela

compondo com palavras

os meus sonhos

nesta tela.

sexta-feira, 19 de março de 2010

xô, xô, o palco agora é meu - Outros textos - Poemas e Cartas - Luso-Poemas

xô, xô, o palco agora é meu - Outros textos - Poemas e Cartas - Luso-Poemas

Provérbios


"Em Terra de Cegos, Quem Tem um Olho, é Rei"


Vivia estigmatizado por certos olhares, conscientes de que haveria algures, um reinado capaz de ser eloquente, ao ponto de o aceitar e de o fazer acreditar, que o novo é sempre o novo, mesmo que as luzes se encontrem dispersas num movimento inconstante.

No entanto, eram simplesmente novas vistas de um mundo prestes a cair no vazio.

Tal como a magnitude de um cometa , que rasgando os céus, se encontra numa posição privilegiada em relação aos seus congéneres, estaremos sempre em forma, não fôssemos nós um composto e várias espécies, acompanhando a frota designada por um calibre máximo de objectivos mortos.Há tempos mortos, que marcam num reino de cegos, a centelha viva que abrirá caminhos para o mundo dos vivos, mas nesse reino, só um cego poderá valer a quem quiser ter só um olho, sem se sentir perdido, por não saber ao certo, do reinado fantástico deste mundo, envolto em fantasia. Só assim poderá aceder à terra dos mortos-vivos, porque aí, quem tem um olho é rei da noite para o dia. Criou-se para o efeito, uma ilha que está aberta a quem quiser entrar. As palas serão oferecidas à entrada, e as entradas são gratuitas.

Que se dê então, início ao espectáculo!


sexta-feira, 12 de março de 2010

Deixar os olhos pousados nas estradas

Ter olhos gastos ou deixar os olhos pousados nas estradas. Já não há peregrinos que caminhem nos dias. O sabor dos frutos na lingua de quem navega, navegamos nas palavras quando as perdemos do corpo para a mesa das tabernas.

Ter os olhos gastos ou deixar os olhos vestidos nos gestos dos que se desencontram. Sabemos que os sabios se desencontram dos livros. Ter os olhos gastos ou deixar os olhos pousados nas estradas. Gostaria que me guiasses, o silencio das mãos no grito da terra.

Ter os olhos gastos ou deixar os olhos prostrados nas estradas.

Lobo 010

segunda-feira, 8 de março de 2010

O meu voo

Não encontro palavras,
No brotar de um poema,
Nem o verso que conjuga alvorada,
Nem o grito denso que abre as janelas,
Da conjugação das estrelas
Que acendem a minha noite.
Recolho o olhar do voo de uma borboleta,
Deitando-me na pedra esculpida
Esperando um novo amanhecer,
Contando os traços dos filamentos do gesto.
No silêncio esperei,
Que o vento inspirasse em segredo,
Guardando no templo do meu peito,
O eterno cântico dos sonhos
Da poesia que corre em mim.
Neste casulo,
As águas rompem no rosto,
Entoando letras tecidas nas mãos
Nascendo sílabas que a boca prenuncia,
Na espuma do ventre
Deste desejo de voar.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O amor arde em mim

Em ti,
Existe o fogo do Verão,
Onde cintilam os meus versos,
Respirando a brisa nua,
No encontro do olhar.
Trazes o sonho,
Que preenche o meu chão,
Onde movimento o meu sangue,
Na chama o florir do meu espírito.
Em tua face,
Sinto o vento a soprar meu coração,
Sufocando o silêncio do toque
Abrindo as nossas mãos
E voar no infinito do céu.
O nosso beijo,
O encontro do desejo,
Colando os pedaços do tempo,
Partículas do halo das searas
Estremecendo as águas
Do paraíso do nosso mar.
Eu meu amor,
Na comunhão plena,
Fui feito para te amar
Amar-te mais e mais
Deslizando na curva quente de teu dorso
E assim morrer por Ti.