segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

NUANCES de Um Silêncio a Dois




Nuances...De um Silêncio a Dois (O LIVRO)


Um livro que tem como ponto de partida, a poesia a duas mãos, Ana Coelho e José Antunes
O evento irá realizar-se no dia 20 de Fevereiro próximo, e conta com o apoio da Câmara Municipal do Alenquer.
Esta apresentação está inserida na Feira do Livro a decorrer no Fórum Romeira em Alenquer, local onde será realizado o evento.
A organização do evento estará a cargo da editora "EDITA-ME" que contará com alguns momentos musicais e com as crianças presentes, irão ser desenvolvidas actividades pedagógicas por animadoras socioculturais, que estarão sob orientação de Cátia Costa.
Gostaríamos de poder contar com a Vossa presença.

Partilhamos convosco partes do prefácio escrito pelo Prof. Arlindo Mota

PREFÁCIOAna coelho e José Antunes: entre nuances, sonhos e cumplicidades

Ana Coelho e José Antunes, são dois autores com uma envolvente e genuína pulsão pela poesia. Na escrita e nos gestos, que de gestos também se constrói a poesia. Buscam com paixão e rigor o segredo das palavras, que renovam sem cessar. Parcimoniosos na utilização de metáforas, optam claramente por não assentar na metrificação clássica, salvo uma ou outra incursão, num ou noutro poema.Conhecedores da herança lírica portuguesa, não se confinam ao formalismo e abordam a linguagem com criatividade, onde os temas do amor estão abundantemente presentes, mas também o psicológico e o social (sem cair no realismo) não são esquecidos e isso revela-se ao longo de todo do livro. A sua poesia, seguindo a moderna estética, constitui a verdade de um mundo sentido por uma subjectividade; o que ela diz é um mundo para o homem, um mundo visto de dentro, mundo singular e inimitável a que só o sentimento dará acesso. Falei até agora dos autores como se fossem apenas um: eles de alguma forma a isso nos conduzem, porque se apresentam juntos, face a se face, porque o livro constitui para eles a sagração dessa comunhão. Mas, em boa verdade, se muitos traços os identificam, outros os distinguem. Ana Coelho navega mais suavemente nas palavras, é, de algum modo, o lado assumidamente feminino do livro; José Antunes, de escrita comedida, apresenta mais arestas na leitura e na interpretação da sua simbologia. Comum aos dois, a contenção vocabular e arredia da adjectivação excessiva, que torna a sua poesia rigorosa e límpida, dotada de uma invejável coerência interna.O livro, por sua opção, apresenta-se dividido em cinco capítulos: “Momentos”; “Trincheiras de Sonho”; “Distâncias”; “Lampejos”; “Cumplicidades”.

Janeiro de 2010
Arlindo Mota

(Convite enviado pelos autores e amigos Ana e José. Conto convosco)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Rastreio

Rastreio da segurança
empolgou os sentidos,
convidando à festança
no aliviar dos pruridos.

Lógica do bem sentir
no meio da amargura,
sortilégio do partir,
sentindo alta ternura.

Brandos foram os embates
dos actos assumidos,
pelo rigor dos cumpridos.

Rescaldo de outros debates,
mesmo dos descabidos,
mas, por ora, permitidos!...



António MR Martins

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O silêncio do poema

Quem te disse que a palavra mata,
Que embebeda a alma,
Adoçando a boca…
Que solta beijos sem asas,
Entre um mar de chamas dos amantes.
Quem te disse que em teu corpo nu,
Bailavam faluas ao vento
Ancoradas em teu seios,
Flutuando seduções no silêncio de um gesto.
Quem te disse…
Que os anjos cantam nas estrelas imponentes,
E que a espada rasga a dor de uma lágrima,
Entre o orgasmo vestido em flor,
No deserto de um poema…
Que jaz no papel esquecido pelo pó do tempo.
Quem te disse que a pétala acende o olhar,
E do ventre nasce o ensejo do infinito,
Consumindo a memória da voz,
Na lembrança de uma ave
Afagando a face num horizonte desconhecido.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Outro mar.



Hoje a incerteza bateu à porta
trazia no bolso
os dias cinzentos de inverno
beijou-me a face
com os lábios frios.
e eu...
vestida de ansiedade
mandei-a embora
fechei a porta
dei um pontapé na tristeza
fixei os raios de sol
nas frinchas da janela
fios de esperança
que me cegaram o olhar
e eu..
esqueci-me do presente
voei nas asas do sonho
miragem de um outro
mar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Biografia

Esculpi na pedra o meu perfil,
Sou raiz do nada,
Vácuo sem saída,
Vago rodopio no suor frio da madrugada.
A vida sobe as escadas do meu ser,
Perguntando em cada piso…
Estás bem meu bom amigo?
Respondo no imediato - A envelhecer…
Enruga o meu rosto,
Negando-se ao infinito,
Despindo a minha mortalha,
Aos meus olhos…
Já não sou menino.
Tempestades de tormento inútil,
Nas horas cansadas, lentas em silêncio…
Que passam por mim,
Passam, passam… Sem as poder agarrar,
Hão-de perder-se num voo sem asas,
Desfolhando as estrelas à noitinha.
Nos bocejos do drama que acendo,
Vibram luzes dispersas em meus versos,
Iluminando o mordaz recanto onde me deito,
Não há vertigens nesta viagem,
Nem barcos ao largo do cais.
Fui ritmo, fui riso…
Fui lágrimas,
Fui história escrita sem palavras,
Fui fé em mortal pecado,
Fui o que afinal ainda sou…
Mas quem sou eu afinal?
Eu só Eu e nada mais.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Raios pacíficos

Na eternidade da alma
O corpo espreita nos aros
Redondos da sombra
A luz cinge a aura do ser
Em raios pacíficos
De energia em fios de ouro
Bordados na paciência do Criador
Com o olhar de simplicidade
Fidelidade e placidez
Dom recebidos em lençóis
Deitados em nuvens
Puras e alvas.

No semblante rastos de apoteose
Substancia neutra
Na subtileza de crescer
Em raízes paradisíacas
Germinadas na fonte do seio
O pastor delonga sem ânsia
O rumo da peleja esculpida
Em nomeações livres…

A alma avança eterna
Sem sabedoria de lendas
Sem sombras…
No resguardo
Da luz vinda do interior juízo…

Ana Coelho

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Afogo-me no medo do amor

Não escolho o silêncio do tempo,
Nem o grito do fogo,
Que arde em meu dorso…
Não fujo do fumo da guerra,
Que devasta a planície do meu olhar.
Não sinto o ardor da lágrima,
Que cai entre as margens da face,
Nem a voz do filósofo…
Solta nas suas plumas agridoce,
Que ondula no mar da discórdia.
Não temo a penumbra do negro,
Nem os corvos que professam nevoeiros,
Numa encosta nua,
Despida dos filamentos arco-íris,
Entre o calvário de um botão em flor.
Não temo o trovão na tempestade da noite,
Que engole a luz da raiz do sentimento,
Nem as vestes da sombra no meu quarto sombrio…
Entre os farrapos da tristeza que vestem o poeta,
Não temo o sufoco do aceno da saudade na última vez,
Nem a bala perdida…
Que trespassa o leito deitado num seio nu.
Apenas temo… tão só
Perder-te!!!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Tempestade

Verbo perdido,
Um escrito manchado,
A verdade esquecida,
Entre a palavra que é prata,
Tantas vezes, corta como faca
Sangrando o coração.
O nada, o tudo,
O caos e a certeza do conjunto,
A forma do triangulo quadrada,
O nada que o tempo guardou no sempre
Entre as rochas que beijam o mar.
As horas que suam,
Um relógio parado,
A morte beija a vida,
A floresta erguida num deserto inabitado
Erguendo no monte a casa desfolhada,
Rasgando em pedaços a janela entreaberta.
O fumo do cigarro que queima o cinzeiro,
O silêncio no sorriso de uma lágrima,
Cães que ladram entre alcateias de lobos,
Entre quimeras, frutos da imaginação,
Corpo vestido de nudez cega,
Aves vagabundas que se perdem na imensidão
Perdendo-se o sal de uma estrada.
O recorte da luz do horizonte,
Projecta os sentidos em esboços do corpo,
Áureas famintas de crenças diferentes,
Arde o gelo delirando em gemidos,
Nas memórias de traços e rabiscos.
Desfolha-se a flor,
O ventre que emancipa o desejo,
Ínfimo voar na obra última do poeta,
Nada mais… nada mais,
Escuta… o silêncio,
Deixa-te levar nas ondas do poema.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Quando lembrares um poeta

Se um dia
vires um homem chorar.
E se o seu rosto
for um poema esculpido,
deita-te a seu lado,
repousa teu corpo sobre o seu
e chora com ele,
porque a dor naufraga
também será a tua lágrima.

Se olhares em volta
e vires um poeta sorrir,
então, ama-o
no ímpeto dos seus lábios,
em migrações de um afago
num poema
que é aquilo que dele fizeres!...

Se não vires poeta algum,
nem crianças brincando sós,
senta-te na sua ausência
e aguarda
pois a noite é cúmplice do desejo,
e os poetas calam
mas não morrem,
enquanto os teus braços quentes
forem a tentação dos corpos nus,
pelo suor em que sou poeta
…onde sou por ti possuído,
E tu, mulher amada…

Mas se jamais
foste tocada pelo poeta.
acautela-te
porque os seus seios de macho,
se sugam sublimes poesias,
que no leito do teu sono
contigo fará amor
sempre que o sentires dormir em ti.

- na ânsia do beijo,
Sonha-se…

…no entanto
os poemas serão grilhetas…
e o poeta teu prisioneiro!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Vida Viva

*
Vivo para me sentir viva
Um ser vivente
Que pensa
Um ser exigente
Que sofre
Um ser pertinente
Que vive assim
Como todos os vivos
Que morreram antes de mim
*
Se assim não fosse
Seria só um único ponto
Esquecido num intervalo de mim
E ficaria perto
Daqueles que sofrem a morte
De algum ser vivo
Que pensa
Que morrer é ser livre
E livrar-se de algo ruim

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Nasço em ti

Há primavera nas palavras,
Amar… e sentir-te sempre perdidamente
Fecha os olhos… não digas nada,
Sentindo a minha boca dormente,
Quando em teus lábios vou beber.
Nascem nas ondas, delírios e anseios
Agitando o leito do nosso mar,
Enciumando o sol com o nosso calor
Trazendo o nosso amor por companhia
És a minha Musa, que ensino o meu canto.
Trago em pétalas as letras do teu nome
Na minha alma, os teus ardentes encantos
O meu tempo o teu leito,
Sem medo, juntos ficamos a imaginar
Deixando-nos levar
O meu peito contra o teu peito
Neste pudor que ganha asas, além do sonho.
Em ti encontro o meu abrigo, a minha ilha
Entrelaçando os meus dedos nos teus
Entregando-me nas volúpias do abraço,
Unidos… trocamos beijos e gemidos
Até os astros ganham outra dimensão no espaço.
O céu sem ti, não tem ar,
O teu coração um ideal que sei de cor,
O teu sorriso… a fonte da minha inspiração
O doce mel dos teus olhos, secam as minhas feridas
E nas palavras que soletro,
Nas baladas que te escrevo…
A minha noite torna-se a alvorada
Onde em ti nasço todos os dias.

domingo, 10 de janeiro de 2010

HÁ UM DISTÚRBIO...




Há um distúrbio em mim…


Que me impede de reflectir…

Um distúrbio que se esconde atrás de cada sorrir…

Viste-me e não o compreendeste…

Sorriste e não me impediste…

Desse distúrbio em ti…

Que te fez magoar…

O desejo em ti, de me enternecer…

O desejo de transformar o lodo…

Num lago puro,

Fazer renascer uma flor de Lotus…

Enquanto sentia prazer…

Em sentidos a ti devotos…

Vislumbrava diagramas de vida…

Alheios, interrompidos…

Alegria ganha, tristeza perdida…

Em momentos em que temi…

Sentir-me digno por apenas oferecer…

Segundos preciosos de meu tempo…

Em que vagueei pelo teu corpo…

Sentir-me humano pelo desejo de receber…

Te vendi cara a solidão da minha companhia…

Em desorientada histeria…

Que não te tatuou a saudade…

Nem a mentira foi verdade…

Fui anjo, convertido pelo que resisti,

no mais comum dos mortais…

Fui santo sem pedestal…

Morri para ti,

Mas estou vivo,

Neste ressentimento factual…

Libertei-te de mim,

Para respirares a tua vida final…

Darkrainbow

ORAÇÃO DE MIM





Oração de mim próprio…

Rezo sem vontade de orar…
Venero-me, mas sei que não me posso desculpar,
De meus actos sem contrição,
Voluntário na contradição…
Fui equinócio de segredos…
Pecador de desesperados medos…
Conto, arbitrariamente,
Passagens do Santo Rosário,
Ensonado limpo o rosto,
Marcado a sangue, como num sudário,
Em minha cruz estou pregado a mim…
Trovoadas, tremores…
Nuvens cinza e prata de cetim,
Me rodeiam hipotéticos fulgores…
Anjos confidentes são delatores…
Mas creio na minha existência…
Sou a religião de minha crença…
Acólito de negra batina…
Sigo esta lida doutrina…
Em que acompanhas a teu jeito…
Não faço de mim tua sina…
Mas nesta oração,
Algo em ti me fascina…
Entro em ti, és minha Igreja…
Ajoelho-me à entrada, na pedra fria…
Tocas-me na nascente, até jusante do dia….
Por breve momento que seja,
Minha Bíblia está em branco,
Para que sintas o que não digo…
Se violo minha própria lei divina,
Que sejas tu meu castigo…
Que pássaro negro desapareça,
com heresias que sigo…

Darkrainbow

3º Compilação da antologia TU CÁ, TU LÁ

3 grupo.


Na quietude...
Dos caminhos que percorro
Visto as cores
De um arco íris…
Brilho difuso
Grito contido
Voláteis histórias
Em versos soltos
Que voam sem destino
E no adeus…
Descubro a chama corrente
O nascer do sol
O cintilar das estrelas
No avanço do mar






Alcanço um som,
Leve, muito leve,
Não são harpas
Não são Anjos
São fantasmas descalços.
Sabem-se implicantes
Por tão antigos serem.
Vivem no sótão,
Nos medos e segredos
De quem nada sabe.
Inquietam, procuram,
Abanam,
Remexem o passado:
Matam as palavras,
As desculpas,
Os lamentos,
Os ais dos choros
Ainda vivos,
Sofridos no sangrar
Dos pulsos




Devagar regressa
à superfície
ignora os disfarces
do destino,
rasga os precipícios
na poeira do mundo.
Veste de verde o amanhecer
recolhe no peito
todas as pedras do caminho.
Desfia com rigor
cada angustia
ou desejo inconfessável,
recupera a distraída
bússola da alma,
obstáculos povoados
na memória indelével.



O que a vida não me dá
eu não peço a ninguém,
vou procurando sozinho
talvez o que ninguém tem...
eu sou filho parido lá
onde a sorte é de alguém
que acredita que sofrer
custa muito e sabe bem
porque depois de morrer
só sofre o fora-da-lei
que nunca pagou o que seu tem
tirado ao sono com as dores de outrem...




Rasgo os pedaços desse poema
sorvo o conteúdo clandestino
nas entrelinhas escritas
desses versos fragmentados
em representações doridas
em pensamentos abstractos
de ideias pré concebidas
de um coração magoado
Voo na cegueira de mim
ao chamamento profano
do silencio da tua voz
Salto no imaginário….



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A noite é nossa

A luz adormece, partindo num adeus
Horas da bênção do amor, que chega ardentemente
Tão cheia de quimeras,
Noites quentes,
Onde afogo os meus lábios nos teus.
Matamos saudades do dia distante
Acendendo tempestades de volúpia
Em lagos de seda pura
Languescentes astros em fogo,
Onde procuro o teu corpo
Onde deslizas no meu.
Sede de beijos, desejos selvagens
Eu…Tu… Somos uma só imagem
Nas horas lentas, imortais, profundas de sentimento
Gemidos que rasgam o tempo
Entre a febre do anseio em ter-te
Mais… muito mais
Hoje e sempre!
Doido estou em sentir a tua alma,
Agradeço a Deus por me atravessar o teu caminho
Sou a chama e o poeta que procuras
Vive em mim, mata-me esta saudade
És o sonho mais doce que um dia tive.
Fervor neste mar de chamas, que vestem o luar
Mãos que deslizam na pele,
Abrindo em nós, todos os caminhos
O cheiro torna-se uma vã miragem de baunilha e mel
Acolho-te em meus braços, uno em toda a parte
Neste amor que só em nós existe.

ANO NOVO




Um ano novo,

Deveria ser um renascer da nossa mente,
num coração usado,
e num corpo envelhecido…
Mas ter a consciência dos erros cometidos…
Perdoar os erros alheios…
Compreendê-los como se fossem um reflexo nosso…
Voltar a amar quem se odeia,
porque já foi por nós amado…
Ser uma luz ao fundo do túnel,
para quem nos estica a mão,
mesmo timidamente…
Estar disposto a fazer do passado,
apenas um livro de ensinamentos,
que nos ajudem a construir o nosso futuro,
e engrandecer o nosso “Eu”…
Tornando mais real a palavra “Nós”…
Ter coragem de dizer “gosto de ti”,
sem aguardar quer nos retribuam as palavras…
Mas, quem sabe?...
Alcancemos um sorriso de volta,
mais significativo,
que qualquer amálgama de palavras…
Eu estou disposto a fazer isto por ti,
No renascer de cada dia,
como se de um novo ano se tratasse…
Tu estás???...

Darkrainbow

domingo, 3 de janeiro de 2010

ESSÊNCIAS DE NÓS...



SOMOS,


Amotinados em revolta…

Gritos abafados…

Asfixia que nos olha,

em silêncio…

Corrupio de aromas que se soltam…

A guilhotina ,

que nos condena…

Subtileza cândida trancada…

Que não ousamos dividir…

Na simples liderança de SER…

ESSÊNCIAS definidas…

Bálsamos que aliviam…

O

unguento perfumado dos nossos corpos…

No fio desta navalha...

Onde nos sentamos...

O sorriso plasmado...

Quando nela sangramos...

Bastardos, de quem nos censura...

Somos um vírus nascido...

Na nossa cura...

Olhamos para trás...

E...

Vemo-nos seguindo em frente...

Nas ESSÊNCIAS,

do nosso próprio rasto...

Aromas de Ópio,

num campo de papoilas….

Que agitam o sangue que nos corre nas veias…

Coram obscenidades dos pensamentos…

Mascaram de rubro o íntimo do SER…

Ávidos de prazer…

Que não sabemos ocultar…

ESSÊNCIAS servidas,

No cálice da vida…

Embriaguez que se nota na nossa tez…

Somos o fumo...

De nossos sonhos queimados...

Somos as brumas...

De nossas noites estafadas...

Epítetos...

De desejos consagrados...

Apenas um tomo...

De

nossa colecção inacabada...

Apenas um gomo...

De citrino acetinado...

Talvez um doce travo...

Te nossa auréola consumada...

Corpos incinerados…

Partículas de cinza…

Suspensas no ar…

Do pó viemos e vamos voltar…



ESSÊNCIAS…

de

Nós…

Opostas, que se encontram...

No ritmo aglutinado...

Em cada silêncio exacerbado...

De gotas que se soltam...

Num único coração amotinado,

que deixa de bater...

Quando a vida por nós passa...

Após destino que desenlaça,

de um Tempo que não pára de correr…

mas…

…FOMOS…

E ficam de nós, as…



…..ESSÊNCIAS...



Ana P. / DarkRainboW

sábado, 2 de janeiro de 2010

Vagabundo tempo





















Com a impotência algemada à alma
e as mãos calejadas de acariciar
o vazio do eco arquejante
lavro na pedra barrenta
do destino
um outro olhar,
um outro caminhar

Com a firmeza de um sem abrigo
semeio na alma as flores do desejo
desse desejo que me faz crente
e na berma da estrada
visto-me
dos minutos e das horas do tempo,
desse tempo
sem tempo p`ra mim

A impotência permanece
na ardência da alma nua
e num impulso de puro
atrevimento
exijo ao vagabundo do tempo
um milésimo de tempo
por fim

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Vínculos


[foto do site olhares.com]


São elos que nos unem
Para além das palavras
Dos versos narrados,
No horizonte onde o fogo
Se une com o calor do olhar…

São albergues
Inovados em encontros
De luz
Na configuração esbelta
De Ser e ter
Laços aglutinados
Pela nobreza da transparência
E sentir plena a comunhão…

São vínculos
Antes impossíveis
Hoje eternos…


É tudo aquilo que nunca pedi
Mas a universalidade tal como edifica…

Ana Coelho


Inspirado aqui:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=112489

Dedicado a todos aqueles por quem tenho laços de verdadeira amizade.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Estou a perder-me

Estou a perder-meas pedras nos meus olhos e o olhar é o rio e assim me entrego ao mundo com os braços abertos para sentir que a natureza è a minha familia.Estou a perder-me, nao sei onde tenho os sonhos. O tempo da inocencia vagueia no cèu e eu que me julgo heremita deixo a voz entregar-se ao silencio. Estou em liberdade e nao pertenço a nenhuma religiao, nem tenho ideologia. Basta-me existir, pensar na razao è morrer. Estou a perder-me, tenho medo e nao tenho nada que me perturbe, consigo transformar a tempestade dos meus olhos na primavera dos meus sonhos. Estou a perder-me, agarrei a noite como agarro as pedras. Agora o vento queixasse que me perdeu, falou isto ao rio que seguia nos meus olhos. Estou a perder-me preciso de voltar a sentir-me triste.lobo 09