domingo, 10 de janeiro de 2010

ORAÇÃO DE MIM





Oração de mim próprio…

Rezo sem vontade de orar…
Venero-me, mas sei que não me posso desculpar,
De meus actos sem contrição,
Voluntário na contradição…
Fui equinócio de segredos…
Pecador de desesperados medos…
Conto, arbitrariamente,
Passagens do Santo Rosário,
Ensonado limpo o rosto,
Marcado a sangue, como num sudário,
Em minha cruz estou pregado a mim…
Trovoadas, tremores…
Nuvens cinza e prata de cetim,
Me rodeiam hipotéticos fulgores…
Anjos confidentes são delatores…
Mas creio na minha existência…
Sou a religião de minha crença…
Acólito de negra batina…
Sigo esta lida doutrina…
Em que acompanhas a teu jeito…
Não faço de mim tua sina…
Mas nesta oração,
Algo em ti me fascina…
Entro em ti, és minha Igreja…
Ajoelho-me à entrada, na pedra fria…
Tocas-me na nascente, até jusante do dia….
Por breve momento que seja,
Minha Bíblia está em branco,
Para que sintas o que não digo…
Se violo minha própria lei divina,
Que sejas tu meu castigo…
Que pássaro negro desapareça,
com heresias que sigo…

Darkrainbow

3º Compilação da antologia TU CÁ, TU LÁ

3 grupo.


Na quietude...
Dos caminhos que percorro
Visto as cores
De um arco íris…
Brilho difuso
Grito contido
Voláteis histórias
Em versos soltos
Que voam sem destino
E no adeus…
Descubro a chama corrente
O nascer do sol
O cintilar das estrelas
No avanço do mar






Alcanço um som,
Leve, muito leve,
Não são harpas
Não são Anjos
São fantasmas descalços.
Sabem-se implicantes
Por tão antigos serem.
Vivem no sótão,
Nos medos e segredos
De quem nada sabe.
Inquietam, procuram,
Abanam,
Remexem o passado:
Matam as palavras,
As desculpas,
Os lamentos,
Os ais dos choros
Ainda vivos,
Sofridos no sangrar
Dos pulsos




Devagar regressa
à superfície
ignora os disfarces
do destino,
rasga os precipícios
na poeira do mundo.
Veste de verde o amanhecer
recolhe no peito
todas as pedras do caminho.
Desfia com rigor
cada angustia
ou desejo inconfessável,
recupera a distraída
bússola da alma,
obstáculos povoados
na memória indelével.



O que a vida não me dá
eu não peço a ninguém,
vou procurando sozinho
talvez o que ninguém tem...
eu sou filho parido lá
onde a sorte é de alguém
que acredita que sofrer
custa muito e sabe bem
porque depois de morrer
só sofre o fora-da-lei
que nunca pagou o que seu tem
tirado ao sono com as dores de outrem...




Rasgo os pedaços desse poema
sorvo o conteúdo clandestino
nas entrelinhas escritas
desses versos fragmentados
em representações doridas
em pensamentos abstractos
de ideias pré concebidas
de um coração magoado
Voo na cegueira de mim
ao chamamento profano
do silencio da tua voz
Salto no imaginário….



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A noite é nossa

A luz adormece, partindo num adeus
Horas da bênção do amor, que chega ardentemente
Tão cheia de quimeras,
Noites quentes,
Onde afogo os meus lábios nos teus.
Matamos saudades do dia distante
Acendendo tempestades de volúpia
Em lagos de seda pura
Languescentes astros em fogo,
Onde procuro o teu corpo
Onde deslizas no meu.
Sede de beijos, desejos selvagens
Eu…Tu… Somos uma só imagem
Nas horas lentas, imortais, profundas de sentimento
Gemidos que rasgam o tempo
Entre a febre do anseio em ter-te
Mais… muito mais
Hoje e sempre!
Doido estou em sentir a tua alma,
Agradeço a Deus por me atravessar o teu caminho
Sou a chama e o poeta que procuras
Vive em mim, mata-me esta saudade
És o sonho mais doce que um dia tive.
Fervor neste mar de chamas, que vestem o luar
Mãos que deslizam na pele,
Abrindo em nós, todos os caminhos
O cheiro torna-se uma vã miragem de baunilha e mel
Acolho-te em meus braços, uno em toda a parte
Neste amor que só em nós existe.

ANO NOVO




Um ano novo,

Deveria ser um renascer da nossa mente,
num coração usado,
e num corpo envelhecido…
Mas ter a consciência dos erros cometidos…
Perdoar os erros alheios…
Compreendê-los como se fossem um reflexo nosso…
Voltar a amar quem se odeia,
porque já foi por nós amado…
Ser uma luz ao fundo do túnel,
para quem nos estica a mão,
mesmo timidamente…
Estar disposto a fazer do passado,
apenas um livro de ensinamentos,
que nos ajudem a construir o nosso futuro,
e engrandecer o nosso “Eu”…
Tornando mais real a palavra “Nós”…
Ter coragem de dizer “gosto de ti”,
sem aguardar quer nos retribuam as palavras…
Mas, quem sabe?...
Alcancemos um sorriso de volta,
mais significativo,
que qualquer amálgama de palavras…
Eu estou disposto a fazer isto por ti,
No renascer de cada dia,
como se de um novo ano se tratasse…
Tu estás???...

Darkrainbow

domingo, 3 de janeiro de 2010

ESSÊNCIAS DE NÓS...



SOMOS,


Amotinados em revolta…

Gritos abafados…

Asfixia que nos olha,

em silêncio…

Corrupio de aromas que se soltam…

A guilhotina ,

que nos condena…

Subtileza cândida trancada…

Que não ousamos dividir…

Na simples liderança de SER…

ESSÊNCIAS definidas…

Bálsamos que aliviam…

O

unguento perfumado dos nossos corpos…

No fio desta navalha...

Onde nos sentamos...

O sorriso plasmado...

Quando nela sangramos...

Bastardos, de quem nos censura...

Somos um vírus nascido...

Na nossa cura...

Olhamos para trás...

E...

Vemo-nos seguindo em frente...

Nas ESSÊNCIAS,

do nosso próprio rasto...

Aromas de Ópio,

num campo de papoilas….

Que agitam o sangue que nos corre nas veias…

Coram obscenidades dos pensamentos…

Mascaram de rubro o íntimo do SER…

Ávidos de prazer…

Que não sabemos ocultar…

ESSÊNCIAS servidas,

No cálice da vida…

Embriaguez que se nota na nossa tez…

Somos o fumo...

De nossos sonhos queimados...

Somos as brumas...

De nossas noites estafadas...

Epítetos...

De desejos consagrados...

Apenas um tomo...

De

nossa colecção inacabada...

Apenas um gomo...

De citrino acetinado...

Talvez um doce travo...

Te nossa auréola consumada...

Corpos incinerados…

Partículas de cinza…

Suspensas no ar…

Do pó viemos e vamos voltar…



ESSÊNCIAS…

de

Nós…

Opostas, que se encontram...

No ritmo aglutinado...

Em cada silêncio exacerbado...

De gotas que se soltam...

Num único coração amotinado,

que deixa de bater...

Quando a vida por nós passa...

Após destino que desenlaça,

de um Tempo que não pára de correr…

mas…

…FOMOS…

E ficam de nós, as…



…..ESSÊNCIAS...



Ana P. / DarkRainboW

sábado, 2 de janeiro de 2010

Vagabundo tempo





















Com a impotência algemada à alma
e as mãos calejadas de acariciar
o vazio do eco arquejante
lavro na pedra barrenta
do destino
um outro olhar,
um outro caminhar

Com a firmeza de um sem abrigo
semeio na alma as flores do desejo
desse desejo que me faz crente
e na berma da estrada
visto-me
dos minutos e das horas do tempo,
desse tempo
sem tempo p`ra mim

A impotência permanece
na ardência da alma nua
e num impulso de puro
atrevimento
exijo ao vagabundo do tempo
um milésimo de tempo
por fim

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Vínculos


[foto do site olhares.com]


São elos que nos unem
Para além das palavras
Dos versos narrados,
No horizonte onde o fogo
Se une com o calor do olhar…

São albergues
Inovados em encontros
De luz
Na configuração esbelta
De Ser e ter
Laços aglutinados
Pela nobreza da transparência
E sentir plena a comunhão…

São vínculos
Antes impossíveis
Hoje eternos…


É tudo aquilo que nunca pedi
Mas a universalidade tal como edifica…

Ana Coelho


Inspirado aqui:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=112489

Dedicado a todos aqueles por quem tenho laços de verdadeira amizade.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Estou a perder-me

Estou a perder-meas pedras nos meus olhos e o olhar é o rio e assim me entrego ao mundo com os braços abertos para sentir que a natureza è a minha familia.Estou a perder-me, nao sei onde tenho os sonhos. O tempo da inocencia vagueia no cèu e eu que me julgo heremita deixo a voz entregar-se ao silencio. Estou em liberdade e nao pertenço a nenhuma religiao, nem tenho ideologia. Basta-me existir, pensar na razao è morrer. Estou a perder-me, tenho medo e nao tenho nada que me perturbe, consigo transformar a tempestade dos meus olhos na primavera dos meus sonhos. Estou a perder-me, agarrei a noite como agarro as pedras. Agora o vento queixasse que me perdeu, falou isto ao rio que seguia nos meus olhos. Estou a perder-me preciso de voltar a sentir-me triste.lobo 09

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DESEJOS...



São desejos,

de libertar o corpo...
De uma alma secreta...
Que pode ser o teu...
Embaciado por meu quente sopro,
Como vidro de janela indiscreta...
Por onde vislumbro segredos...
De uma pureza que não assumes...
Sofres em silêncios...
Calas ciúmes...

***

São desejos...
Comigo esqueces quem és...
Jorras suor de teus poros...
Gritos em teus lábios, insonoros...
Há anos guardados...
Em castas a teus pés...
Recônditas de anseios,
Que te vagueiam na mente...

***

São desejos...
Sabes que são os meus...
Quando me tocas...
Sabes que são os teus...
Quando em teu abraço me sufocas...
Em meu colo, teu trono de princesa...
Em tua noite, sou distante vela acesa...
Quem sabe…
De olhos fechados,
Te lembrarás que existi...
Que é segredo o que senti...
Que era eu,
Quem querias que habitasse em ti...
E entenderás, que são...
Desejos...



DarkRainboW

domingo, 20 de dezembro de 2009

A lágrima morreu

Num caixão sem soalho,
a lágrima ia nua e singela
ia só nos despojos da vida,
ia sem voz nem beleza,
talvez morta pela míngua
talvez farta pela destreza,
mas no fim, a lágrima morreu…
foi uma septicemia fatal
uma dor ansiando ser tristeza,
ou uma tristeza ansiando esquecer,
mas a lágrima morreu,
morreu boçal e livre
num incesto de emoções,
morreu breve e solteira
como deve uma boa lágrima,
morreu apenas
sem sequelas para o coração,
morreu só, morreu chorando
a vida recauchutada
que lhe deu uma peritonite amiga!
A lágrima morreu,
Ficou o sal…

É assim o Natal

É Natal

As ruas iluminadas
Em espelhos de luz
O amor que se reproduz
Em mil estrelas de alegria
No calor dos sorrisos
Vidas repletas de cor
É a magia do nascimento

É Natal
São pedaços de Deus
Pintados nos laços
Do aparecimento sublime
Jesus a voz viva do salvador
Em glórias do divino céu
Partilhas anunciadas
Na conciliação que reina

É Natal
Tempo de fraternidade
Em sopros de união
No trono da paz em cada coração
Erguem-se os símbolos
De vigor e esplendor
No mais íntimo sentido
Do verdadeiro amor divino

É assim o Natal…
Renasce o autêntico sentido da vida…



[foto do site olhares.com do autor Aires Osório)

Feliz Natal para todos e que o Natal chegue a cada coração
Ana Coelho

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

As Palavras

Palavras são o complemento
o afago e o entretenimento
a solidez e o compasso
o desnível do traço
a fluidez do movimento
a metáfora do pensamento
o preencher de cada espaço
a luz de cada vida
o descortinar a saída
do comboio em andamento
António MR Martins
foto in logopeia.wordpress.com (na net)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Espírito de Natal

Entre luzes coloridas
Bolas de magia
Presépios com o menino Jesus
Há um buraco no tempo perdido
Onde caem lágrimas de sombra
Numa miserável cegueira
Que todos sabem que existe e ninguém a crê.
Cantos proibidos
Rostos cansados, gélidos de emoções
Esperando um Natal qualquer
Aquele que não existe
Esquecido pelas vestes da fantasia
Vendendo-se apenas nas palavras,
Palavras cruas e despidas
Porque Natal é todos os dias!!!
Verdade na mentira
Vejo os que andam e não amam,
Pobres despidos das guerras,
Famílias famintas sem pão,
Os que dormem nas ruas desertas,
Os que choram a saudade da terra,
As crianças que crescem e não brincam,
E tantas outros… outros sentimentos saltam
Gélidos como o Inverno que assombra.
Ano após ano,
Grito - Malfadada vida…
A história é igual,
Repete-se a ladainha
Brinde-se e consuma-se o que não se tem
Pois afinal…
Existe a esperança na vida
Que ainda existe… o espírito de Natal.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Revoltas interiores

Empolgam-se os seres da contestação,
por constante e verdadeiro sofrimento;
servem-se da sua lógica razão...
para divulgar ao cidadão desatento.
As sofredoras mentes exteriorizam
a inconveniência dos vis mandatários,
perante a realidade dos que agonizam
e assim se tornam contestatários!...
Não há rumoque a todos encante
nestas vidas em pleno desespero...
não há aprumo que nos espante
nesta vivência de vão destempero!...
António MR Martins

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

2ª Compilação de Ana Coelho (Antologia Tu Cá, Tu Lá)

Vou sorrir mesmo que tudo esteja mal
Porque o coração me diz que não há nada igual
Vou-te amar,
Vou esperar que me ames
Vou sorrir mesmo que me enganes
Vou sofrer mas não vou estar só
Tenho a tua ausência em mim

Às vezeste encontro só,
mesmo que acompanhada...
nostálgica,
pensativa,
desenquadrada,
sem fulgor.
Às vezes
a penumbra
nos invade...
numa força superior
a um desejo,
que se não pode prever
ou antever,
sem rigor.

Deitas-me sobre
teu piano enigmático,
cobres-me de olhares silenciosos
sussurras-me pautas penetrantes.
Delicio o teu sabor letal
entre as notas que escoro
na rebeldia das cores
que se curvam ao fastígio
da minha avidez lasciva.
*
Trespasso-me de minimal alegria...
Percorro o reflexo de teu rosto numa navalha caída...
Duas faces de nostalgia...
Dois gumes de heresia...
Dois gomos de fruta azeda em anemia...
Toque cego de transversal fantasia...
Com ela me ceifas a lambida dor...
Me dilaceras a trôpega respiração...
Tão real...
Como a mais efémera ilusão..

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

na casa aberta

falo palavras amordaçadas como preso em mim e no meu sentir. sou de desejar escrever até morrer, mas hoje desperto de um sol frio, coagido por ser outono e nas cores quentes deste dia, vomito o silêncio; estou inteiro, curvado perante ti e me uso da tua pele para me aquecer do frio da alma que circula, para lá e para cá, junto a mim. leio poesia de quem não se teme, apavorada, e sigo mais além onde encontro, num sorriso, a tua tez. nas letras despes a sabedoria de quem joga com as palavras no momento, mesclando odores de sonhos e de sons felizes, perdidos aqui, na casa aberta.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um tempo vazio

No meu silêncio
Falta a palavra
A colonização do meu espaço
O abraço que acende a manhã fria
A cor de uma aguarela viva
O risco feito ao acaso
A imaginação que preenche a hora morta
O sol que acende a minha noite.
Falta-me,
O arpão que me acerta no peito
Um corpo que me tapa o nu
A flor de um sorriso que me embriaga
O ardor do sussurro no vácuo
A lágrima que me desliza no leito
O poema sem verso na folha
Vulcão que explode num beijo.
Um coração deserto
A morte da minha razão
O rumor da desordem
A loucura que me transforma
Na infelicidade da saudade
A Chaga do peito
A longa espera do regresso.
Falta-me realmente tudo
Falta-me a rocha, o pilar,
As horas que falecem no relógio
Falta-me quem me complementa
Nós dois sempre…
Mas quando não estás
E depois
Faltas-me tu.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Solitária lágrima

Dança na branca íris
Cristais soltos do olhar
Escorre nas faces frias
Pelo canto vertida
Envergonhado o sorriso,
Liberta a mão
Húmido murmúrio.

Rio selvagem
Desagua no mar norte
Encobre o rosto
No mudo grito
Trancado no fundo do bosque…

Desliza assim
Pela lua nova
No vértice do desejo
Que cala os gestos…
Solitária lágrima
Rasgada nos ombros
De um sonho cinzelado…

Revivem diamantes no fundo da alma.

Ana Coelho

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sinopse do poeta

Semeiam seara nua
Entre palavras e vírgulas
O luar que inspira
Nos sentimentos que embriagam.
Benditos imortais
Épicos tempos conhecidos
Pessoas sem terra nem beira
Vestem-se de sonhos
De textos e emoções
Numa arte erguida pelas próprias mãos.
Falam sem falar
No silêncio que só nós podemos ter
Espaço umbigo de um canto perdido
Um tempo que passa
A passar… lentamente
Onde morrem e ressuscitam!
Famintos da escrita
Criam sem pudor
Deslizam tinta em folha crua
Malditos que sufocam
Cantam, choram, gritam
Encantam a peça da vida
Presos aos olhares que os devoram.
A obra singela corre nas sílabas de um verso
Sedutor, maléfico…
Numa fé que molda o sonho
Afaga a face e o corpo
De quem escreve
De quem assim sente,
Como eu… como eu.
Lábios que denunciam o meu voo
Escavando no profundo ser
No princípio, fica o poema
O átrio de uma estrofe sem medo
Para ti que és Poeta!!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Viagem que sou

Sou a viagem que sou
sei-o!
Mergulho as mãos
no absurdo.
…Rumo ao irreal,
Como barcos sem leme
Sulcando os mares de azul.

Sei que sou a viagem…
Degrau a degrau
subo as muralhas débeis
da palavra,
e do cume voarei
de braços abertos sobre
as praias de um lençol,
surdamente inspirado
em vezes de estranheza
e tímidos medos…

Sou uma viagem
sem retorno…
-regressos não há.
O fim não sei,
Mas o amor é o meu tempo!

José António Antunes