domingo, 13 de dezembro de 2009
Revoltas interiores
por constante e verdadeiro sofrimento;
servem-se da sua lógica razão...
para divulgar ao cidadão desatento.
As sofredoras mentes exteriorizam
a inconveniência dos vis mandatários,
perante a realidade dos que agonizam
e assim se tornam contestatários!... Não há rumoque a todos encante
nestas vidas em pleno desespero...
não há aprumo que nos espante
nesta vivência de vão destempero!... António MR Martins
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
2ª Compilação de Ana Coelho (Antologia Tu Cá, Tu Lá)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
na casa aberta
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Um tempo vazio
Falta a palavra
A colonização do meu espaço
O abraço que acende a manhã fria
A cor de uma aguarela viva
O risco feito ao acaso
A imaginação que preenche a hora morta
O sol que acende a minha noite.
Falta-me,
O arpão que me acerta no peito
Um corpo que me tapa o nu
A flor de um sorriso que me embriaga
O ardor do sussurro no vácuo
A lágrima que me desliza no leito
O poema sem verso na folha
Vulcão que explode num beijo.
Um coração deserto
A morte da minha razão
O rumor da desordem
A loucura que me transforma
Na infelicidade da saudade
A Chaga do peito
A longa espera do regresso.
Falta-me realmente tudo
Falta-me a rocha, o pilar,
As horas que falecem no relógio
Falta-me quem me complementa
Nós dois sempre…
Mas quando não estás
E depois
Faltas-me tu.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Solitária lágrima
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Sinopse do poeta
Entre palavras e vírgulas
O luar que inspira
Nos sentimentos que embriagam.
Benditos imortais
Épicos tempos conhecidos
Pessoas sem terra nem beira
Vestem-se de sonhos
De textos e emoções
Numa arte erguida pelas próprias mãos.
Falam sem falar
No silêncio que só nós podemos ter
Espaço umbigo de um canto perdido
Um tempo que passa
A passar… lentamente
Onde morrem e ressuscitam!
Famintos da escrita
Criam sem pudor
Deslizam tinta em folha crua
Malditos que sufocam
Cantam, choram, gritam
Encantam a peça da vida
Presos aos olhares que os devoram.
A obra singela corre nas sílabas de um verso
Sedutor, maléfico…
Numa fé que molda o sonho
Afaga a face e o corpo
De quem escreve
De quem assim sente,
Como eu… como eu.
Lábios que denunciam o meu voo
Escavando no profundo ser
No princípio, fica o poema
O átrio de uma estrofe sem medo
Para ti que és Poeta!!!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Viagem que sou
sei-o!
Mergulho as mãos
no absurdo.
…Rumo ao irreal,
Como barcos sem leme
Sulcando os mares de azul.
Sei que sou a viagem…
Degrau a degrau
subo as muralhas débeis
da palavra,
e do cume voarei
de braços abertos sobre
as praias de um lençol,
surdamente inspirado
em vezes de estranheza
e tímidos medos…
Sou uma viagem
sem retorno…
-regressos não há.
O fim não sei,
Mas o amor é o meu tempo!
José António Antunes
Alice ainda está a dormir
Na farmácia de serviço há um velho a tocar gaita de beiços, tenho o som do rio em mim, por causa da minha crónica timidez é o rio que faz a declaração de amor á pequena Alice. O rio fica calmo, não quer acordar a criança, essa criança casta e apetitosa de vicios escondidos a despertar a poesia nos homens que tem a alma "suja" ou simplesmente as fantasias convertidas em culpa, o nosso Senhor Jesus Cristo deu o corpo ao manifesto pelas nossas fantasias, Alice parece uma Madalena, pego num pequeno estojo de cosmética e pinto-lhe os lábios, o roxo fica-lhe bem. Todas as mulheres são belas a dormir, tiro do maço um cigarro, com o fumo desenho peixes e vultos eróticos, parece que aquelas formas saiem dos olhos fechados de Alice,toco o seu corpo e sinto que nele se inventa uma nova maresia, debaixo da porta do quarto há um envelope, dentro metade de uma fita métrica, o chapeleiro louco mudou de emprego, agora é o alfaiate paranoico, as suas roupas cheiram a pão bolorento, o inverno demora a passar e Alice ainda dorme, o ritmo do seu coração é a marcha dos soldados da rainha das lingeries triumph, vou preparar um chá de ervas, o vapor do chá como o da chaminé dos barcos que navegam nos olhos, nunca disse a ninguem que pela casa anda um travesti fantasma, também se chama Alice, gosta de comer bolachas ou costuma com asbolachas fazer o lançamento do disco. Em breve realizasse o campeonato de futebol dos vultos com pé de atleta, não sei se Alice gosta de futebol, não sei quando vai acordar, sei que o alfaiate paranoico vai desenhar o equipamento dos vultos do futebol que jogam nas paredes, já vi um jogo nas paredes de um wc, o publico a pegar em frases como quem pega em tomates e a lançar na cara dos tais vultos. ( liga-me no intervalo) o teu corpinho sabe bem, sabe a peixe no forno e a flores nos cornos dos touros, os cornos dos touros lembram a selvagem poesia Espanhola. Alice nunca leu Lorca, talvez o encontre nas viagens do seu dormir. Entretanto saio, vou jogar bilhar, as andorinhas inspiram-me, gostava de imaginar uma pergunta para Alice: - Quando acordares que vestido vais escolher? Sabes que o alfaiate paranoico vive num guarda vestidos, é um t2, uma renda antiga dessas que ainda se praticam em Lisboa, o alfaiate paranoico agora deu-lhe para rezar o terço, no bolso de um casaco velho há uma folha rasgada a meio, é uma receita com a fórmula do queijo parmesão, com os fios do queijo parmesão ele fez umas calças para o conde da braguilha aberta um personagem asqueroso, muito estimado pelos cães e presidentes de câmara ou até candidatos ás eleições para o parlamento, Alice ainda não mexe uma palpebra. Alguém sabe porque está a dormir tanto tempo?! se eu telefonar para a brigada dos ratos da desentoxicação, espero que não seja tarde de mais, são dez horas da noite, na cozinha da casa de Alice a chaleira do chá está a ferver, finalmente Alice começa a acordar, as suas primeiras palavras são: - Traz-me um espelho, quero embaciar o espelho, lábios desenhados, uns lábios que parecem carnudos como saídos da boca da loira Marlene a velha actriz que vivia com um cineasta alemão, Alice afina a voz, está a preparar-se para ir á ópera, Pavaroti usa uma gravata feita com fios feitos de queijo parmesão, os sapatos de Alice cheiram aquele odor, o chule fonte de inspiração surrealista, o pequeno almoço do conde da braguilha aberta são meias descozidas, estendal do predio uma colecção de meias sinteticas, o conde tem vagas noções de nutrição... Alice parece que anda num mundo paralelo, enquanto ela andou a vaguear a mãe dela tentou ligar-lhe várias vezes, ligou para uma clinica privada e foi disfarçada de sem abrigo ao casal ventoso saber se a sua Alice estava a consumir? Alice estava no seu quarto secreto, foi levada da via latina até ao velho quarto por um velho xaman, quando não era um velho xaman era um carteiro, uma pessoa igual a todas as outras e por outro lado um super dotado da mentira, Alice por ele quebrava todos os vidros, a maior mentira dele foi a maior verdade que flutua em muitos lábios, ela ser o amor da sua vida, mas a mentira dele pareceu soar como a voz da rainha de copas - cortem-lhe a cabeça! Alice olha uma revista cor de rosa, se ainda estivesse naquele seu sono profundo pediria ela ao alfaiate paranoico que lhe fizesse um daqueles vestidos o mais transparente possivel, por favor Alice, a transparencia é util, mas é uma coisa exagerada, sabes como é, sabe sempre ao mesmo, é futil a ilusão das actrizes de folhetim, descascar cenouras com o coelho de março seria muito melhor. O xaman o super dotado da mentira que dava de dez a zero ao belzebu das tretas alcunha dada ao traficante cigano que andava pelo casal ventoso e que rondava os infantários oferecendo histórias de desencantar, histórias que pareciam verdadeiras mas que no fundo não tinham fundo nenhum. Alice alimentaa a sua existência destes personagens, as pessoas estaveis bem posicionadas socialmente que só enganam o proprio ego, só tem dentro delas uma luz e presença e não fazem mais nada do que exibir a riqueza que um dia será pó, ou que é ainda poeira. Os outros, os que roubam, os que enganam, os que inventam sonhos e traficam prazeres não são diferentes, trazer um laço no colarinho não faz de um monstro uma flor. Alice se enamorava dos amantes do perigo(continua)
lobo
sábado, 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Quem sou?
A certeza e a dúvida
Lampejo de um firmamento
O próprio desejo,
Sou tudo e nada sou.
Sou a fuga e o caminho,
O ponto e a virgula
A frase incompleta
A palavra suspensa
O poeta perdido.
Irredutível, romântico
O caos e a calma
Sou o tempo que passa
Sou o vento que sopra a folhagem
A manhã despida de Outono.
Sou a luz e a sombra
As mãos que deslizam
Sou fumo…
Andarilho sem destino
Um traço numa tela.
Sou a rosa e o espinho
A onda que beija a areia
Sou o sentimento nu
O silêncio.
Sou apenas eu!
terça-feira, 3 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
O cancro que mama tudo e não deixa nada

onde o inesperado acontece,
não se pode ter a Lua
nem tudo o que apetece!...
Sentes teus peitos doridos
pelos nódulos do seu interior…
encontras os dias sofridos
e vives tudo por favor.
Rescaldos duma demora
que outrora desencantaste
e agora urge curar!...
Previne-te em boa hora
do mal que encorajaste,
para o poderes ultrapassar.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Ao Sul, poema para duas imagens
Dias em tons de ocre
A terra absorve o calor
E desponta em pedras
Casas brancas e olivais
Pegas, Popas, Chapins
Aguardam o entardecer
Onde sem mistérios
Matarão a sua sede
E saciarão a paisagem
Imagem 2
Afago-me no ar quente
Como nas searas
Papoilas bailarinas.
Sem solenidade
Só, como às vezes gosto
Em silêncio
Toco teus cabelos, Terra
Ao Sul, um encontro
O olhar atento do Sol
A cópula, o universo
A eternidade
Coisas que não rimam…e outras
O plástico não rima com a praia
Como o sol não rima com duas inglesas
Que o absorvem sofregamente
Por outro lado, no pico do calor
Minh’alma encontra-se com as manadas
Cujos sons percorrem as longínquas planícies.
À tardinha, em bandos
Os pássaros, pardais ou andorinhas
Rimam entre a copa de uma laranjeira
E o céu azul.
À noite dou por mim rendido aos grilos
Até que por fim
Me deixo ir
Perdido,
Em sonhos,
Que nem sempre rimam comigo
domingo, 25 de outubro de 2009
Compilação de Ana Coelho, p/Apresentação de Antologia
Os dias (es)correm
d
e
v
a
g
a
r
ao ritmo do tempo.
Breve voar.
Singular,
primordial,
musical
o
momento.
Suave o toque
pianíssimo
no ventre em crescimento
fugaz a vida
que se esvai
em paletas de luz viva.
Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.
Lá bem no centro de ti
há uma nascente
onde bebo da água cristalina
que sacia a minha sede.
Faço correr rios de esperança
que descem as montanhas
das tuas crenças
e dos teus desejos
De verde vestida
Virados aos céus
Teus braços abriste
Clamando p’los meus
Em mim tu sorriste
E vi como és
Um corpo da terra
Teus seios dois figos
Dá-me o teu odor
A tua textura
E sonhos de amor
Eu
Pecadora
Me confesso
Sim
É verdade
Quebrei todos os votos
Que te fiz por amor
Num impulso de fraqueza
Que me inquietou a alma...
Coso os meus lábios,
Com fino fio de mel dos teus cabelos
Guardando assim no silêncio…
O segredo,
Do sabor dos nossos beijos.
Deixo-me levar nas pétalas da rosa,
Que deslizam na tua face
Invadindo o nosso ninho…
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Afago demoniaco

Tento libertar-me, mas não consigo
Dessa teia que em mim teçe
Sinto a seda escorrer no meu corpo
Envenenando a minha alma
Desse amargo-doce proscrito
Tento me libertar.
Mas…..não, não quero
Quero sentir
O afago demoníaco desses fios
Enrodilhados em labirínticos
Fios de prazer,
Porque assim te sinto
Na macieza desnuda
De te querer sentir
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Antologia “Tu Cá, Tu Lá” apresentada pela Dr.ª Carmo Miranda Machado

sábado, 17 de outubro de 2009
Reduzido à insignificância

o Largo do Descontentamento…
relegado ao silêncio por trapaça
e ignoraram o meu sofrimento.
Isolado por grande pressão,
acorrentado por superior ordem;
esquecido por mera ingratidão,
depauperado… não me acordem!
Privilégios já tive um dia,
no passado que se ofuscou…
livre prisioneiro quem diria?!
Abandonado por preconceitos…
o presunçoso hirto deliberou
afastar-se sem mais trejeitos.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Parabéns Miriam
Fome de palavras

Hoje alimento-me das palavras, a maior parte delas, encontro-as escritas, nos mais variados sítios por onde me passeio nos fins de tarde dos dias mais ou menos vazios... ou pelas madrugadas fora, na ausência das horas que me controlam, mas que por um qualquer motivo, ficaram presas no relógio pendurado naquela parede branca atrás de mim e para onde nem sequer olho...
Palavras escritas, faladas ou ouvidas, são palavras que definem sentimentos. Podem confortar, alegrar, dar esperança ou tirá-la… podem excitar, insinuar, esconder ou mentir. São apenas palavras…
Algumas dessas palavras são tão belas, que me recuso a colhê-las para mim, deixo-as ficar no mesmo sítio, para que possam ser admiradas por todos os olhos que as encontrem também. Outras são demasiado caras, sempre o foram e só com um dicionário por perto, as conseguiria alcançar, mesmo não sabendo muito bem o que fazer com elas... por isso nem sequer lhes tento chegar perto. Outras ainda, são demasiado floreadas e engenhosamente complicadas de modo que de nada me serviriam também, por isso, deixo-as para os entendidos. Há ainda aquelas, que me acenam com sorrisos, mas são demasiado oferecidas, não as levo, deixo-as ali, para que outros se sirvam...
H
á também aquelas que magoam, que me ferem os sentimentos e me entristecem profundamente… não as quero, não as desejo nem as ofereço a ninguém. São horríveis!
Sou esquisita, só gosto daquelas outras mais simples, que me enchem o olho logo no primeiro encontro e é dessas mesmo que me alimento e as devoro logo ali, naquele preciso momento.
Gosto muito de palavras, embora elas não sejam tudo...


