domingo, 20 de setembro de 2009

Sabes? (de Carlos Conchinha)


Um livro de Carlos Conchinha, o novo elemento do blog, que irá ser apresentado dia 3 de Outubro, na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa. Espero estar presente.
Um livro que mereceu o prémio de Ministro da Poesia no site http://www.worldartfriends.com/.

Momentos (o novo livro de Luis Ferreira)

Espero estar presente no dia do lançamento do teu livro Luís. Vou fazer os possíveis para ir.
Um livro de poesia com lançamento para dia 26 de Setembro no Freeport de Alcochete. Uma edição da Temas Originais e com apresentação de Drª Carmo Miranda Machado.

Parabéns José António

Para o José António Antunes, um amigo que integrou este blog assim como a antologia deixo os meus sinceros parabéns, pelo seu aniversário recente. 17 de Setembro
Muitas felicidades

(Foto do aniversariante lindíssima)

Depois do Tejo

Não basta passar o Tejo
É preciso avistar um sobreiro
A primeira cal contrastando o ocre
Para que me sinta em casa

A terra, o trigo, a cortiça
Atravessam meus tantos poros
Irrigando meu sentir

No poial polido
Trocam-se histórias de infância
Sorrisos sinceros
E silêncios celestiais

Olha uma estrela cadente
Diz o pequeno

A vida sulca a tua tez escura
Desgasta o negro feltro em teu chapéu
Mas minh’alma em ti perdura
Meu simples mas pleno Alentejo

sábado, 19 de setembro de 2009

O nosso vinho

Traz-me um copo de vidro fosco,
Como aquele onde bebi, em tua casa.
Entorna nele o vinho que bebemos juntos.
Saboreia, mastiga, absorve.
Envolve a minha pele nesse aroma afrutado.
Torna-me alcoólico, encorpado.
Sei que contigo sou veludo puro,
De cor rubi, sangue vivo,
Quente, maduro, persistente.
A tua casta difere-te.
Cabernet Sauvignon, Aragonês, Trincadeira,
Touriga Nacional, Syrah ou Merlot.
Que importa?
És como o nosso vinho.
Deixas-me tranquilo, fermentado neste corpo,
Suave, intenso, de textura macia.
Chambreia-me com o teu calor.
Torna-me quente, meu amor.

Sedução sem limites

Quero sentir
as tuas palavras

Na boca
desse teu vento

Aquelas
que decoravas

E as do teu
olhar atento

Quero saboreá-las
intensamente

Pela sedução
que continua

Sentindo
tão raramente

O que nos oferece
a alma nua

António MR Martins



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O descalcular da vida

A viagem começa quando se olha a parede, ver a sombra das mãos e aquilo parece o rio, a água do rio que corre em redor da casa e é como um cão a correr e a ladrar, algo dentro de nós por não haver afectos, por não haver ouvidos que oiçam. A criança deseja atravessar o muro, a infância é um impulso, o descalcular da vida. A viagem parece eterna, uma coisa sem limites e no momento em que a palavra é usada para fixar a atenção das coisas a criança adormece, o selvagem é domado e a religião se instala para que ela não voe, para que não cresça.

Lobo 09

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A chuva nos sapatos... não havia nada de misterioso, podia ser o titulo de um filme, uma canção longa legendada em Francês ou um crime desses idealizados contra a paciencia dos dias. Sou um pobre homem e serve-me a palavra para contestar o meu destino. Á mãe que me fez nascer e ao mundo que me faz sentir incompreendido e indigno deste palco, deste viver do lixo e da caridade. No segundo andar da santa casa a mulher com cara de buldog a Dra Silvia, nome que oiço da boca do segurança.- Então!... tem se alimentado? parece que está mais magro. E eu que trazia e trago um album de fotos mostrei-lhe todos os caixotes do lixo da cidade.- Encontro sempre comida e já encontrei livros.- Temos aqui um intelectual.E naquele momento o meu pensamento começou a falar em voz alta e chamei-lhe todos os nomes a maior parte deles em francês. A mulher chamou o segurança e eu imaginei-o a bater no peito como os gorilas de sete rios contestando o aumento do passe social.Trabalho é a palavra mais dificil, quando tento pronunciar é muito trabalho e não há compensação, deitar e levantar, abanar a cabeça para cima e para baixo, para os lados e saber que isto resulta sempre igu al como um cão que sempre levanta a pata para mijar e que sempre faz olhos pateticos para receber o osso, pois vai chegar o momento em que lhe será pago um salário como fazem á Dra Boldogue. Estou a olhar o rio e chega junto a mim o policia municipal.- Tem licença para pedir, que faz com uma sanita ás costas?- É para fazer as necessidades- Já ouviu falar de saneamento basico?!- Sou um turista, ando sempre em viagem.- Está a gozar com a minha cara?!- Tem um ar muito jovem e deve ter muita força, bloquear os pneus de um carro deve ser dificil, ouvi dizer que o mundo é governado por cerebros bloqueados.- Devia tomar um bom banho- Trazer uma banheira ás costas ia ser dificil, se eu conseguisse fazer chover, sabe fazer chover é assim... alguém com cara de parvo a olhar para o céu, já tentou a experiência?! os poetas tem essa capacidade, os poetas são doceis e ele olha para mim e eu começo a gritar que ele me está a assediar e que me quer multar por não ter comigo o seguro de sanita turistica.As pessoas começam a gritar com ele e o coitado olha para o ceu e começa a chover e que merda logo no momento em que me deu a vontade, esta chuva não deixa de ser abençoada, hoje comi feijoada de porco, o porco é o meu signo chinês, gosto de provérbios chinezes, já tive um porco, dei-lhe o nome de um proverbio chines. O meu porco chamavasse quem anda á chuva molhasse. Costumava ler lhe os poemas do mestre apolinair e foi com grande tristeza que o levei ao matador, aquele amigo e irmão era muito saboroso, com outros mendigos fizemos um banquete, nem na mesa de um rei se podia imaginar um prato como aquele ornamentado com rodelas de ananás e vinho do porto, mas a amizade tras sempre desapego e era preciso matar o desejo, confesso que nunca tinha arrotado tanto que até perguntaram se aquilo tinha alguma coisa a ver com a fonetica chineza.- Estão a gostar pergunto eu, quando era pequeno gostava de comer urtigas, as urtigas são boas para os problemas urinários, eu costumo urinar nas urtigas, já comi porco com urtigas.- Isso é bom?- Tem muitas calorias, é uma comida para o inverno.- A minha irmã é vegetariana, ela gosta de sopa de urtigas, dessas em saquetas, que se vende nos supermercados.- Já pensei ser vegetariano mas não consigo, também adoro batatas, as batatas são como os acentos na gramática dos paladares, bacalhau com batatas e umas couves de preferência galegas.- Ontem encontraram morto um transexual, tinha chuva nos sapatos- Foi crime?- Parece que a policia descobriu um diário secreto, um diário compremetedor.- Uma confisão?!- Parece que foi o amante, a policia chama a este caso a confisão de Lucio.Volto a olhar o rio, há sempre o momento para o fim de uma história e assim adormeço sem esquecer as minhas orações e as mãos lavadas. Daqui a pouco o tejo vem ter comigo a pedir que desenhe um electrico. Acordo no quarto de hospital, há um gajo com um lençol a tapar-lhe a cabeça, coitado está no matador, o porco vingou-se dele e a solidão não para nunca mais. Á minha volta estão muitos médicos.- Esse figado está a desfazer-se- O senhor Doutor pode dizer isso em Francês, o figado a desfazer-se e as flores da minha despedida... costumo escrever poemas, uma noite de lua cheia feri-me, era um golpe fundo, usei a folha dos poemas para estancar o sangue.- Deixe-me ver o pulso, agora precisa de descansar.Lá fora está de novo a chover, a sirene das ambulancias toca ensurdeceduramente parece o guincho do porco e nunca isso foi tão parecido á aflição que se pressente antes da morte chegar Lobo
Sábado, 29 de Agosto de 2009

Desenho

Vi fazer-se o sol na tua face.
Daqui, onde me encontro, traço o perfil
De desenhos que me tornam mais humano.
Sinto que todas as coisas me finalizam.
Já tinhas reparado?
Estes rabiscos significam os
Sensíveis traços da tua pele.
Creio que afinal posso desenhar um pouco melhor.
O sol ajuda-me. Faz-se no teu rosto.
Ilumina estes papéis que trago.
Neles consigo imaginar o sentido
Da arte de te desenhar.
Deixo entrever as tuas linhas e sombras.
Destaco os contornos e as formas.
Reproduzo, plano, e porque me apetece
A silhueta do sentir diverso mas nada alheio
De como te vejo na mente.
Com este sol, com esta luz,
Te desenho porque sei que sim,
Que vejo ondulante o teu corpo aqui, no meu papel.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Matizes de um momento escuro

Não me contenho e sofro
diariamente,
um mundo diferente, doente
onde a dor também é gente
e o tempo uma navalha
um medo, torpor
o evidente era dilema
e o sonho uma soberba poesia,
num mar de desalentos
e eu só me lamento
ou choro as horas, utopias
como quem enviuva de paixão.
Deboto, perco a graça
e morro por dentro
no mais louco silêncio
uma fúria sem fim
em forma de veneno, ardil
um buraco no ar, alucinante
gritando por mim, assim mesmo
tal qual vos conto e digo
... pensamentos são amantes
formas cegas de padecer permente,
que no auge da voz se atiça ao ausente
e mente o olhar perdido de tormentos
com uma mão afogando o vento
e a outra singrando no covil do alvorecer.
Ressonam os instintos dentro dos ossos
algures nas vidas manhosas,
e os carinhos, ternuras tontas
de beijos e volúpias, feitiçarias
deixam saudades dos bosques de amor
para sempre à soleira dos meus olhos pretos
como a escuridão do destino
a brincar perto de mim, quase tocando.
... por um triz ser a morte.

José António Antunes

Porque amo

Porque amo?
Amo… porque sim
Direi… no silêncio da minha voz
Sinto apenas,
Tudo aquilo que desejo,
O caminho… que percorro para ti
Dando e recebendo em cada poro
Nesta eterna inocência de querer.
Mais… muito mais,
Digo-o…
Sinto-o…
Sem limites para parar,
No limite… estreito da minha carne
Entre a videira do teu ventre
No pensar constante,
Acreditando… nas juras infinitas
Entre os suspiros que preenchem o espaço
E faz da tua existência,
A minha!!!
Amo… sinto-o,
O nosso coração faminto…
A rosa enciumada com o teu rosto
Os sorrisos vivos… acesos entre as alianças
Bebendo da tua boca,
Onde o beijo, enlouquece os pedaços
Na filosofia que descobrimos dos sentidos.
Descubro o mundo…
Navegando em teu dorso,
Na curva quente onde germina a mulher
Como barco á bolina sem cais
Creio que uno, somos nós
E nós… Seremos sempre o tempo.
Amo-te hoje, amanhã… Amei-te no passado
Vivo para sentir a eternidade…
De cada nascer,
De cada momento.
O momento… meu, teu, nosso
Que chega, que se sente, que fica
Em cada olhar,
Cúmplice de desejos,
Em afectos que perfumam
As nossas origens.
Nítido como a cristalina água
Havido de ternura, tingindo de vermelho a minha cor
Inocências de cada espasmo
Onde morrerei contigo…
Sei porque te amo…
Amo-te simplesmente
Porque…
O amor é assim.


Tenho marcas no corpo

Feitas a contra gosto

Em cada ano
Um traço novo!
Qual mapa precioso
Que guarda um grande tesouro...

Desgastei-me aos poucos
No longo caminho da vida
Que me fugia
Que corria sempre
Dois passos à minha frente!
E sorria de troça

E eu...
... envelhecia!

Não há reviravolta
Nem contravolta
Nem tampouco revolta
Sou o tempo sem volta!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cancro



A solidão
é um cancro
que nos engole
devorando-nos no devagar da tarde
quando os amores
partem
os corações abandonados
pela incerteza
incompreensão
e preguiça.

Instala-se de repente
já sem possibilidades de tratamento
com metásteses espalhadas
pela alma
o corpo parece saudável
no olhar
o descontentamento
a tristeza impede a felicidade.

Nada se altera
o azul no mar
em ventos de primavera.

Apenas
a alma moribunda
putrefacta
de tanta solidão
sem explicação.

domingo, 13 de setembro de 2009

Apagado

Sentado nesta cadeira e ao redor
Uma luz que me trespassa.
Sou mais um dia que finda
E virado a sul procuro respostas
Às dúvidas da noite que se avizinha.
Crepúsculo do silêncio incómodo.
Tudo me torna vago e obscuro.
Sinto-me tétrico ao anoitecer.
Nem sempre assim foi,
Mas hoje estou mais ignorante,
Não discirno a intenção e a capacidade de pensar.

Preciso do fulgor.
Do brilho do sol.
Com ele sou clarividente.


E o candeeiro desta rua não chega.
Preciso de uma luz que não esta, vil e amorfa.

Não dou nas vistas!
Hoje não é o meu dia
E não irei aos mais altos astros.
Ficarei por aqui,
Nesta cadeira imóvel, partida num dos seus calços,
Como eu, quebrado em mim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SEGREDOS

O SEGREDO

no tempo que dura
esta viagem para chegar
até aqui onde lês

a escrita
demora pouco

só o coração bate sempre
Assim

(O) SEGREDO

estás dentro de mim
sempre a Mim
mais tua

a viagem
até ao encontro

faz da Poesia destino!
Mim

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Prazo

É na parede branca que penduro um quadro.
Nele contem a imagem de uma fotografia qualquer.
Podia ser eu, podias ser tu, podíamos ser nós os dois
Se tempo houvesse para isso.
Esse prazo começa a expirar.
Já não controlo a medida arbitrária da duração das coisas,
E isso deixa-me ridículo e silencioso.
Se soubesses como gostava de controlar a vontade,
No espaço e no tempo da minha vida.
Sermos dois, apenas um mais um,
É algo que relativizo na hora da firmeza.
O ponto de vista não absoluto do prazo,
Ou do tempo em si, como queiras,
Faz-me sentir mais confiante,
Pelo contrário, perdulário,
Dissipador da consciência íntima.
Parece que o tempo quebra e me termina.
Me faz viajar para longe de ti, e do teu lugar,
Onde me observas e fazes encarcerar o particular.
Estou a ficar fora do prazo deste amor,
Gasto e supérfluo do que não tenho.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Espaço(s)


Há um tempo em cada espaço
E um trilho nos outeiros
Que sempre refaço
Mas ninguém me vê
Neste que agora acho

Se o teu olhar me distinguir
No meio da multidão
É ela que deves seguir…

Mas livra-te
De algum turbilhão
Que trace…Com
Ou sem com(passo)
Geo-metrica-mente
Figuras sem nome
Extintas até ao início
De um novo espaço

segunda-feira, 7 de setembro de 2009


Teço o instante
Na teia do tempo
Onde invento espaços…

Como aquele penhasco
Ao cabo do infinito
Onde surge a eternidade

E tantos desejariam morrer…

Fecho os olhos
Abro os braços

E lanço-me num voo picado…
Naquele preciso momento
Confiando plenamente
Na insustentável

Leveza do meu ser…

Banco do jardim

Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.
Entretanto se chegares e não me vires,
Pergunta por aí onde me encontro.
Não creio que o banco de jardim te responda
Pois nele não mais me sentei.

domingo, 6 de setembro de 2009

Por terras de Monsaraz


Deste Telheiro
do Sem Fim

Do instante
do presente
irradiante
que consente

Olhar em redor
e vislumbrar

Uma beleza
contagiante
de exultar

Deslumbrante

Assim

António MR Martins
foto de A. Caeiro (fonte do Telheiro), in blogue "Monsaraz" (na net)