terça-feira, 15 de setembro de 2009


Tenho marcas no corpo

Feitas a contra gosto

Em cada ano
Um traço novo!
Qual mapa precioso
Que guarda um grande tesouro...

Desgastei-me aos poucos
No longo caminho da vida
Que me fugia
Que corria sempre
Dois passos à minha frente!
E sorria de troça

E eu...
... envelhecia!

Não há reviravolta
Nem contravolta
Nem tampouco revolta
Sou o tempo sem volta!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cancro



A solidão
é um cancro
que nos engole
devorando-nos no devagar da tarde
quando os amores
partem
os corações abandonados
pela incerteza
incompreensão
e preguiça.

Instala-se de repente
já sem possibilidades de tratamento
com metásteses espalhadas
pela alma
o corpo parece saudável
no olhar
o descontentamento
a tristeza impede a felicidade.

Nada se altera
o azul no mar
em ventos de primavera.

Apenas
a alma moribunda
putrefacta
de tanta solidão
sem explicação.

domingo, 13 de setembro de 2009

Apagado

Sentado nesta cadeira e ao redor
Uma luz que me trespassa.
Sou mais um dia que finda
E virado a sul procuro respostas
Às dúvidas da noite que se avizinha.
Crepúsculo do silêncio incómodo.
Tudo me torna vago e obscuro.
Sinto-me tétrico ao anoitecer.
Nem sempre assim foi,
Mas hoje estou mais ignorante,
Não discirno a intenção e a capacidade de pensar.

Preciso do fulgor.
Do brilho do sol.
Com ele sou clarividente.


E o candeeiro desta rua não chega.
Preciso de uma luz que não esta, vil e amorfa.

Não dou nas vistas!
Hoje não é o meu dia
E não irei aos mais altos astros.
Ficarei por aqui,
Nesta cadeira imóvel, partida num dos seus calços,
Como eu, quebrado em mim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SEGREDOS

O SEGREDO

no tempo que dura
esta viagem para chegar
até aqui onde lês

a escrita
demora pouco

só o coração bate sempre
Assim

(O) SEGREDO

estás dentro de mim
sempre a Mim
mais tua

a viagem
até ao encontro

faz da Poesia destino!
Mim

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Prazo

É na parede branca que penduro um quadro.
Nele contem a imagem de uma fotografia qualquer.
Podia ser eu, podias ser tu, podíamos ser nós os dois
Se tempo houvesse para isso.
Esse prazo começa a expirar.
Já não controlo a medida arbitrária da duração das coisas,
E isso deixa-me ridículo e silencioso.
Se soubesses como gostava de controlar a vontade,
No espaço e no tempo da minha vida.
Sermos dois, apenas um mais um,
É algo que relativizo na hora da firmeza.
O ponto de vista não absoluto do prazo,
Ou do tempo em si, como queiras,
Faz-me sentir mais confiante,
Pelo contrário, perdulário,
Dissipador da consciência íntima.
Parece que o tempo quebra e me termina.
Me faz viajar para longe de ti, e do teu lugar,
Onde me observas e fazes encarcerar o particular.
Estou a ficar fora do prazo deste amor,
Gasto e supérfluo do que não tenho.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Espaço(s)


Há um tempo em cada espaço
E um trilho nos outeiros
Que sempre refaço
Mas ninguém me vê
Neste que agora acho

Se o teu olhar me distinguir
No meio da multidão
É ela que deves seguir…

Mas livra-te
De algum turbilhão
Que trace…Com
Ou sem com(passo)
Geo-metrica-mente
Figuras sem nome
Extintas até ao início
De um novo espaço

segunda-feira, 7 de setembro de 2009


Teço o instante
Na teia do tempo
Onde invento espaços…

Como aquele penhasco
Ao cabo do infinito
Onde surge a eternidade

E tantos desejariam morrer…

Fecho os olhos
Abro os braços

E lanço-me num voo picado…
Naquele preciso momento
Confiando plenamente
Na insustentável

Leveza do meu ser…

Banco do jardim

Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.
Entretanto se chegares e não me vires,
Pergunta por aí onde me encontro.
Não creio que o banco de jardim te responda
Pois nele não mais me sentei.

domingo, 6 de setembro de 2009

Por terras de Monsaraz


Deste Telheiro
do Sem Fim

Do instante
do presente
irradiante
que consente

Olhar em redor
e vislumbrar

Uma beleza
contagiante
de exultar

Deslumbrante

Assim

António MR Martins
foto de A. Caeiro (fonte do Telheiro), in blogue "Monsaraz" (na net)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

De olhos postos na lua cheia
Perdi-me nos encantos da noite
Rendida à sua beleza e sedução...

Passeei-me
Pelos recantos da imaginação
Subi as escadas dos seus segredos
E deliciei-me com instantes plenos
De pura magia
Ofertados
Em cálices
De finos cristais
Debruados a pó de estrelas...

Sorvi-os com tanta satisfação
Que
Subitamente
Me encontrei lá em cima
Sentada num rochedo lunar...

Ali
Em pleno espaço galáctico
Bem juntinho dos astros
Dos cometas
E das nuvens de algodão

Observando o mundo
Enquanto dormia sereno...

E por ali fiquei
Entretida
Com a minha ilusão
No meu mundo de fantasia...

Em silêncio...


Aquieto-me no colo da noite
Que me aconchega
Com o xaile negro do silêncio

Acendo um cigarro
Oferecido pela morte
Que me engana
Com o prazer do momento

Vou bebendo do meu cálice de Porto
Envelhecido pelo mesmo tempo
Que me envelheceu o corpo

Mergulho num mar de pensamentos...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Momentos (o novo livro de Luis Ferreira)


De Luís Ferreira, o seu novo livro de poesia "Momentos..." a ser apresentado dia 26 de Setembro, pelas 17 horas no Freport de Alcochete.

O livro irá ser editado pela Temas Originais e terá apresentação de Drª Carmo Miranda Machado

Não vendo a poesia

Não vendo poesia…
Palavras… versos…
Mesmo que morra na miséria
Num corpo em farrapos
Sagrando do meu ser.
Não sou como os outros…
Que vendem o sentimento
O corpo,
Escravos, deambulando nas esquinas sujas…
Prostitutos da alma,
Quando declamam a toda a gente
Que a poesia é barata.
Escrevo porque sou escravo dos poemas
Erguendo versos com os rabiscos
Falando de sentimentos
Olho para as letras… ali reunidas em silêncio
Namorando no espaço do livro
Que se soltam nas asas da semente.
Desfolho as folhas soltas,
Solto a gargalhada,
Outras vezes a lágrima
Perdendo o olhar na linha que me chama,
Enquanto a noite me segreda.
Louco, … sou!!!
Liberto o que sinto
Deslizando a caneta no papel
E assim me visto…
Porque o poeta não tem de andar nu.
Tremem-me as mãos…
Liberto frases num branco vazio
Solto as palavras como as cores das borboletas
Esculpindo na pedra os poemas
Para não se perderem no tempo
Mas não me vendo para ser compreendido.
Embriago-me no que escrevo…
Não me curo… não quero!!!
O meu corpo assim respira…
Alimentando a minha sede no verso
A folha gulosa que me absorve
Aqui fico
Em silêncio…
Apenas e só apenas escrevendo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Tentações

Pessoas e pessoas, caminham…
Seguras… talvez
Incertas… Também
Chamando por mim
Gritando o meu nome em vão…
E eu?... Que faço?
Fico ali no meu espaço,
De braços cruzados
A olhar esta multidão.
Olho-os, vendo os seus passos
Num redemoinhar aos ventos
Arrastam-se sem rosto
Nestas estradas sem regras
Tantas e tantas vezes sem abrigo…
Miragem de uma viagem
De sentido proibido.
Do Politico ao Ladrão…
Filósofos, pregadores, artistas
Aventureiros, marinheiros, belas mocitas
Jornalistas, cientistas… Padres e pecadores
Podres, ricos… tias e tios
Ateus e empresários
Vendedores de sonhos.
Não os oiço…
Não estou interessado
Mais vale só… que mal acompanhado
Afinal… na verdade
Eu sou dono do meu destino.
Fui criado por pai e mãe…
Tenho essa felicidade…
Que muita gente não a tem,
E por isso tenho a vontade
A coragem e a força da escolha
De não seguir ninguém,
Que acordado… não ache bem!!!
Sigam o vosso caminho…
Rebanho de desgraçados,
Eu… sigo o meu, mesmo que sozinho,
Servirei a Deus… não ás tentações do Diabo
Nesta maneira louca… sã de agir.
Crio os meus próprios laços…
Desenho a minha vida no livro que se abre
Sou o que sou e nada devo a ninguém,
Por isso, meus amigos…
Grito…grito e gritarei
Ao mundo e a ninguém
Sigam os vossos passos…
Não vale a pena… chamarem por mim
Vou à minha vida…
À procura da Felicidade!!!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Vem de ti

Vem de ti…
A pujança do teu carácter,
a firmeza do decidir.
Vem de ti…
A beleza do teu sorriso,
a magia do teu encanto.
Vem de ti…
O enlevo que pressinto
na razão do existir.
Vem de ti…
As pétalas da esperança,
que envolvem nosso manto.
Vem de ti…
A simplicidade das coisas,
numa áurea de felicidade.
Vem de ti…
O eminente rejubilar
no colmatar o sofrer.
Vem de ti…
A voz da proeminência
no relato da verdade.
Vem de ti…
O afago que sempre sinto
e que tento acolher.
Vem de ti…
Entre tantas outras coisas,
saudadas sem preconceito,
a carícia que em mim poisas
nesse teu sublime jeito!...
Vem de ti…
Tudo o que preciso em mim:
- A amizade no seu esplendor
e o auge de me sentir assim:
- Aconchegado no teu amor!...

António MR Martins

domingo, 23 de agosto de 2009

Lábios secos de palavras

O mar sentou-se ao meu lado
Num pôr-do-sol
Escorrido na penumbra auspiciosa.

Veio beber o sal do meu rosto
Nos lábios secos de palavras.

Cantou a melodia
Em acordes soletrados
Nos meus ouvidos.

Mergulhou o meu corpo
Nas águas transparentes
Do pacifico oceano,
Ofertou
Por entre as minhas mãos
Cansadas
Uma estrela viva,
Esculpida em cristais
Da lonjura inimaginável,
Onde os tesouros
Mais nobres
Se encontram protegidos
Das hostes árduas destes dias…

Sentou-se
E assim
Brindamos o acordar
Da lua nova
Na estrela céu aberto…

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FOBIA

Não temo o medo,
Nem a foice que varre a ceara…
Colhendo o fôlego do meu respirar,
Transportando-me para parte incerta.
Não temo o passar dos anos,
Nem a conversa vazia de duas cadeiras…
Nem o tempo que encerra pequenas lembranças
Traçando no meu rosto…
Vales de linhas dos anos.
Não temo o escurecer das cores,
Nem as multidões petrificadas…
Paralisadas nos eclipses sociais
Ameaçando os seus belos rostos,
Nas noites de insónias.
Não temo a ausência das palavras,
Nem a seca das flores…
Escondendo a paisagem,
Apagando o lado intelectual do ser
Como o nevoeiro que engole o olhar
Jazendo lentamente na memória do povo.
Não temo perder-me no esquecimento,
Em lágrimas secas… nunca derramadas
A coroa de versos que repousa despida
Pois, a biografia do homem
Nunca estará completa.
Não temo deixar de voar…
Perder o romantismo…
Deixar de sonhar,
Mesmo que feche a janela do meu livro
E volte a página para chegar ao fim,
Não temerei em enfrentar o destino.
Corajoso? Talvez não seja …
Porque no fundo do meu peito,
Afinal existe um medo,
Temo os sentimentos
Nesta fobia de perder-te!!!!

sábado, 15 de agosto de 2009

Sou ser
















Quem sou eu?
Perguntam-me os olhares
que se fixam nos meus.

Sou aquele que permanece
impávido e perdido
na falésia dos sentires,
acreditando no voo enigmático
do sonho falecido.

Sou também, aquele
que um dia foi anjo e estrela ancorada
no porto inseguro de alguém.

Sou palavras esvoaçantes no vento,
da incoerência abstracta de ser
o esquecimento
nos tímpanos surdos de alguém

Sou perdição, pedra no sapato,
produto inacabado
das relações turbulentas
no oceano íntimo do permanecer.

Sou vida que permanece
alem de ti, de mim de nós,
transportando o teu fado
em cada amanhecer

Sou um insignificante aprendizado,
na imensidão dos ensinamentos
que os caminhos ofuscados
nos fornecem
na berma do real.

Sou vida, fado, saudade, paixão,
ave, fera, foca, sonho e coração

E tu? quem és tu? És um ser como eu….
produto inacabado….
constantemente a renascer
na ânsia de viver.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Não me ergo, levanto-me

Eu não me ergo, levanto-me
quem se ergue sempre caiu
e eu puxo por mim,
agarrado ao desejo férreo
de me ver elevado
por cima das vicissitudes
e à margem da agonia,
caçando alívios e suspiros
de uma estirpe sem raça.

Eu não me ergo, renasço
resgatado de um passado verve
não me estranho, nem entranho
bebo a sede de viver, indígena
não quero desperdiço nem fúteis cores,
amorfas audácias, mordaças
quando me despertar para o amanhã
que me adorna o olhar…
… no capim do dia seguinte.

Eu não me ergo, levanto-me
quem se ergue não caiu, ruiu
e eu levanto-me, persigo-me e expio-me
até encontrar o sossego que me adensa e foge…

domingo, 2 de agosto de 2009


Nas horas que me sobram
Dos dias que me fogem
Procuro o que me escapa
Nas entrelinhas do que escrevo...

São pequenos detalhes
Das coisas que não vejo
Mas que pressinto...
Estão lá
Em cada vírgula que não meto
Em cada ponto final que não uso
Até nas interrogações que por vezes me faço
Nas afirmações que admito
E nas reticências que me denunciam...

É este o meu livro
De matéria virtual
Que escrevo em tela negra
Sem festa nem pompa...
À mercê de um qualquer vírus
Que o apague dos registos
Ou o leve sem destino...

Não me importo
Escreverei outro
Tenho tempo...

Até que alguém se lembre
De me obrigar a parar!...