domingo, 7 de junho de 2009

tu cá tu lá


Tu cá tu lá
Tu cá
num mundo de sonhos
partilhados
rios de palavras por
inventar
mares de emoções por
desbravar.
Tu lá
nas mãos que se
estendem
numa dádiva incontida
alma que se liberta
nas palavras sem
despedida.
Tu cá tu lá
eu e tu nos caminhos
que nos aproximam.

Parabéns AnaMar

Para a Ana, vai o desejo de que este dia que agora se inicia, seja um dia com muito sol e que haja sempre muita luz a inundar os caminhos que irás palmilhar pelo mundo fora, em busca do tal "inacessível mundo do encanto"

Beijos

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Rescaldos intemporais

Fragmentei um sorriso...
de ténue e simples maneira.
Pelo resultado,
creio ter feito asneira.
Do rescaldo o emaranhado...
senti-me infiltrado na poeira.

Percorri os verdes campos
que ali deixei
e,
de forma breve,
reli os textos escritos nas
folhas dobradas que tinha no bolso...
não dissequei!

Num tempo que já não era o meu,
restabeleci a viagem
e alinhei-me à dianteira...

Para trás ficou a arder
a fogueira!...

António MR Martins

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Palavra Maldita

Palavra…
Oh palavra maldita…
Que tanto me persegues…
Sufocando o meu silêncio,
Aglutinando o meu ser,
Na masmorra do falar.
Matas-me…
Matas-me assim lentamente,
Cravando o punhal na minha língua,
Onde jorram os sons do meu querer,
Nos caminhos sinuosos…
Entre as pedras que ergo no tempo.
Palavra…
Não te odeio,
Não choro por ti…
Vivo contigo, amando-te secretamente
Nos rios secos onde navego
No sol que despertas em mim.
Escravizas o escrever,
Na escrita que liberto,
Entre os textos, onde me deito,
Vagueio sem fim,
Até ao fim do principio dos meus dias.
Rasgas-me o embrião dos sentimentos
Na inocência mágica…
Que escorre nos meus dedos,
Deambulando como moribundo,
Entre as sílabas que soletro
E me faz escrever…
Palavras, apenas palavras...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A força do espírito

Tão simples é a vida quando não resistimos
ganhamos o recordar em tudo para aprender,
vasta é a mente na alma segura
sono profundo, dormir acordado
sem interrogações
talvez exclamações e até pontos finais.

Nada existe sem ser criado
no espaço e no tempo,
destruído é irreal
na questão do vento intemporal.

A força é o poder, caminhar é vencer
desistir não marca história
nem faz renascer,
a ira será aviso?...
O medo não é defesa!
Será fraqueza?...

O importante já foi pensado
reportado e escrito,
em todo o conhecimento
viaja a palavra
entre o certo e o errado.

O universo é incognoscível
nada importante faz sentido.

Ana Coelho

terça-feira, 2 de junho de 2009

Assim & Mim

Espumas

do batido feito
entre sexos espremidos
ficam expressos

nossos versos
leves como plumas

rio de risos
Assim
Plumas és
macio
interior de sonhos
em almofada

meu sonho
assim corporizado
prazer, canto, fado
Mim

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ser Criança

Como são belas as crianças,
Que bailam na inocência da sua alma,
Brincando…
Sentido a luz do mundo,
Por muito que as noites abracem a luz.
Coração puro,
Criam… inventam…Sonham…
Entre a imaginação
Fermentando a alegria
Que germinam nas acções,
Até onde o seu brincar as levar.
De sorrisos em cânticos ao vento,
Correm soltas,
Como pássaros destemidos
Abrem esperanças no tempo…
Na hegemonia do encanto
Pintam cores de beleza sentida.
São raízes que nascem na terra
Cultivadas nos jardins da vida
Entre os espaços que moldam
Abrindo as fronteiras do ser.
Com seus cabelos soltos
Saltam… correm… vivem…
Crescem num tempo que voa
E voam… sem sentir o tempo
Habitam no presente
Sem medo do futuro que se aproxima.
Transportam nos rostos,
Olhos que brilham de felicidade
Como é bom sentir esta liberdade…
Quando se sabe ser criança.

domingo, 31 de maio de 2009

Palavras vivas

Actos reflectidos
florescem sem raízes
no íntimo conflito...
Presos em sentimentos
de pura quimera...
Envolvem ficção sem razão
aparência de jovialidade.

A razão leva palavras vivas
a almas ansiosas...inquietas,
cegas de olhos abertos
surdas em ouvido salutar...

As vozes não são audiveis
passam no firmamento
como ventos desgovernados,
sem força para fazer voar
as folhas verdes da Primavera.

Ana Coelho

sábado, 30 de maio de 2009

Injúrias da Vida


Na densa névoa
Que imerge na sombria solidão da vida,
Sobressai um trecho de luz
Quando o coração já só vê uma saída.

Quando a dor é profunda,
O sentimento restringe-se á sombra que a causou,
Á luz que se apagou.

Num trecho de luz tudo pode mudar,
A existência de outro fim
Por alguém vivida.
A vida começa com a morte,
A morte acaba com a vida.
Miriam

sexta-feira, 29 de maio de 2009

LINGUAGENS...

Trespasso-me de minimal alegria...
Percorro o reflexo de teu rosto numa navalha caída...
Duas faces de nostalgia...
Dois gumes de heresia...
Dois gomos de fruta azeda, em anemia...
Toque cego de transversal fantasia...
Com ela me ceifas a lambida dor...
Me dilaceras a trôpega respiração...
Tão real... Como a mais efémere ilusão...
Desperdício de lâmina fria...
Que rasga minha pele...
Que rasga minha garganta e me cala a voz...
Que rasga a demência do meu fel...
Que arrasta meu corpo pelas areias quentes da poesia...
De minha alma ténue, vazia...
Onde a chama cinza nascia...
Onde sons mudos ecoam...
Me perseguem silêncios...
Sobre inertes tempestades sobrevoam...
Salpicos na face de fria espuma...
Salpicos de calor que na noite são bruma...
Rosa dos ventos opostos em nós...
Falas a língua da morte, desligada da voz...
Falo-te a língua enterrada de Hebreus...
Será que só em meus olhos,
lês a revolta,
a linguagem, regressiva, dum adeus...???
Darkrainbow

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Espumas

I
as tuas mãos
quando te tocas
na maciez quente
são pele na pele
para eu cantar
um verso no papel

Francisco Coimbra
*************
as minhas mãos
sentem o toque
da tua pele
e cantam na noite
versos de mel

Mª Dolores Marques
***************
II
do momento
onde te persigo
o espaço reduzido
alarga-o infinita
-mente cuidando
dar ao silêncio tudo

Francisco Coimbra
***************
quando se sentem
vazias do mundo
segregam fluídos
docemente e calma
-mente buscam-te
no fim de tudo

Mª Dolores Marques
***************
III
mudo mundo
fundo dos céus
à terra os mares
tenho assim estas
marés de Lua

Francisco Coimbra
**************
rasgam a terra
e encontram-te
nos céus alagados
encostam-se ao silêncio
dormem perpétua
-mente um sonho
Dolores Marques
**************

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O adeus que nunca ouvi


Hoje fiquei pensativa e distante
Ao relembrar o teu sorriso,

Hoje ao relembrar o teu carinho,
O teu jeito de me tocar,
A nossa troca de olhares,
Foi tão bom recordar…
Apesar da súbita despedida,
Da ausente figura,
E do silêncio constante,
Não desisti.
Todas as memórias
Do passado eterno,
De duração efémera,
Te cruzaram no meu caminho.

Hoje sentimos falta um do outro
E é tão impossível esquecer,
Tão triste relembrar
O adeus que nunca ouvi…

Hoje quero-me lembrar.
Quero poder entrar no mundo real,
E quero sofrer na despedida
Como sofro na ausência.
Quero um adeus para relembrar.

Hoje não te deixaria partir.


Miriam

Juro... Para sempre

Em todos os beijos
Que me dás…
Que te dou…
Sinto a magnitude do amor
Em suspiros encantados…
Levitando em bálsamos
Que perfumam as nossas vidas.
És a metade, da metade que eu sou
Em todos os lugares…
Sempre, todos os dias…
Num tempo feito pelos dois
Surgem desejos apertados.
Sonhamos acordados,
Erguidos em poemas completos
Escritos no calor
Que acendemos os dois.
Olhares embriagados,
Permanentes…
Fixos nos nossos corpos
Suavidade do aconchego
Desenhamos traços no céu,
Escrevemos nas estrelas
Todo o encanto que há em nós.
Palavras feitas de juras de amor
Ancoradas ao nosso coração,
Se soltam… na leveza pura
Definem as raízes do sentimento
Nas baladas da paixão.
Num abraço… agarro-me a ti,
Agarras-te a mim…
Como barcos presos ao cais,
Vencendo todas as marés
Para o resto das nossas vidas.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Verbo amar

click to comment

Vivemos o mesmo poema
sentados nas cores
do arco da aliança,
despidos de vaidade
no cume dos raios solares
nuvens de claro algodão
nosso ninho aconchegante.

Soletramos hinos
as tuas palavras
murmúrios das minhas
reais corpos feitos de quimeras,
teias que se desfiam
pouco a pouco.

Silêncio dos sorrisos
conquistam desejos
coágulos de luz
reflectem os olhares,
rasgam mil e um poemas
no verbo amar
à flor das faces iluminadas
esculpimos aromas
enraizados na pele.

Versos na memória fiel
brisas sopradas
obedecendo à natureza
voo de espíritos
na dança dos colibris
movidos no ventre da alma
a tinta e o sangue nos uniu.

Ana Coelho

domingo, 24 de maio de 2009

Amor incompreendido


O amor é algo inexplicável
Que surge quando menos esperamos,
Através de um olhar, um sorriso,
Um gesto, uma palavra…
É tão incerto e contraditório,
Como doce e sofredor…
O amor é um estranho meio de vida
A que nos entregamos sem pensar.
E se sofremos por amor,
Porque é tão importante amar?
Porque choramos e sofremos
De felicidade e de tristeza?
Porque nos encanta a firmeza
Das palavras de amor?
Tão lamechas e exageradas
Que nos perfuram o coração,
Nos fazem sorrir e chorar,
Sem sabermos por vezes,
O que de facto é amar…


Miriam

sábado, 23 de maio de 2009

ESQUECIDO...


Quanto mais pensas sentir-me...
Mais te afastas de mim...
Um buraco negro...
Um cemitério de sentimentos, sem fim...
*
Apenas sinto quem nada me disser...
Afasto-me a qualquer momento...
Afasto-me de qualquer mulher...
Seres criados para amar...
Seres amados para criar...
Seres que apenas me sentem no vento...
Seres de minha mágoa, de meu silêncio...
Seres perdidos em meu indefinido intento...
*
Abraça-te a este teu amado...
E jaz em mim, em pedra fria...
Abraça-te a este anjo...
Sem asas, queimado...
Senti demasiado calor de teu respirar...
Escolhi no entanto enterrar meu olhar...
Escolhi em ausências contraditórias vaguear...
*
Não esqueças quem nunca conheceste...
Não conheças quem nunca esqueceste...
Não abandones minhas asas...
Com elas voarás, ver-me-ás minúsculo como sou...
Uma pedra com asas que nunca voou...
Nunca leve como tu...
Por isso tas dou...
Sorrio à distância,
atrás duma sombra,
dicionário de penumbra...
Assim és contemplada...
Fonte de vida...
Assim por qualquer anjo serás amada...
*
Serei por ti esquecido...
Serei por mim perdido...
Serei feliz na minha vida sem nada...
Darkrainbow

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Eu me confesso

Coso os meus lábios,
Com fino fio de mel dos teus cabelos
Guardando assim no silêncio…
O segredo,
Do sabor dos nossos beijos.
Deixo-me levar nas pétalas da rosa,
Que deslizam na tua face
Invadindo o nosso ninho…
Onde crescem as raízes do tempo
De um amor que se sente
Forjado em alianças de ouro.
A música do teu sorriso…
É o vício, que me alimenta
Nos delírios doces que me arrepiam
Entre os suspiros da noite vivida
Acordando na alvorada do teu olhar.
Os nossos corpos ondulam…
Num pulsar escaldante,
Que acendem as estrelas do céu,
No tecto que a noite acolhe…
E me fazes acreditar
Neste amor eterno.
Amo… grito num sopro ao vento
Os meus olhos, um brilho sereno
Da felicidade plena que há em mim,
Amo... meu amor, assim saberás
O valor deste amor que por ti é cego
Na loucura do sentimento que me invade.
Flor doce que afoga a minha sede,
Sem ti, nunca existirá NADA
Por isso CANTO, DECLAMO… GRITO ao mundo
Utilizo sem fim o verbo AMAR,
Só a ti pertenço…
Assim o digo,
Assim me confesso.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A nascente dos sonhos


A nascente dos sonhos.


Lá bem no centro de ti

há uma nascente

onde bebo da água cristalina

que sacia a minha sede.

Faço correr rios de esperança

que descem as montanhas

das tuas crenças

e dos teus desejos.



Na alquimia do desejo

transformo as águas

de um rio bravo

de descidas vertiginosas

em águas serenas e estanques

onde me repouso

a sombra das árvores

que cresceram nas minhas margens.



Oiço a doce melodia

do canto dos pássaros

que alegres anunciam a primavera

as flores sorriem para mim

quando felizes se contemplam

nos espelho dos meus olhos.



Chego por fim ao mar

da tua consciência

abalo as tuas certezas

nos mares da tua existência

vivo e morro em ti.



Estou em ti e par além de ti

sou a nascente dos sonhos.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Enfrentando o caminho das verdades

Esse contínuo brilhar transparecendo felicidade
se afugenta, lentamente, no ocultar da verdade.
Quebram-se as razões do sentido, na sua saudade
e a firmeza do destino cortado à eternidade!...
Esse brilho desfalece projectando a realidade,
metamorfoseia-se teu sublime olhar,
diáspora de breves nuances de encantar,
veículo que permanece repleto de veracidade
em redondilha de profundo efeito nuclear…
sucedâneo teorema da verticalidade
num constante método nefasto de fertilizar
o chão que pisamos nesta nobre e antiga cidade
onde os traumas se confundem com o irradiar!...

António MR Martins

domingo, 17 de maio de 2009

Formas impuras, pecados capitais

click to comment

Vaidosa utopia saiu à rua
no olhar da cobiça andou a fixá-la
opalas lentes os olhos de gentes
despidos de cristal, reflexos de soberba
juízo vulgar
vista da alma perdida sem guarida
embriagada na luxúria
pecados descuidados altares de barro
vidros de repartidas cores
formas impuras de fixar o espelho
quebrado, torcido.

A preguiça balança na escura esperança
de ver crescer sem ter que se mover,
mesquinhez invejada olhares ambíguos
ao abrigo alheio,
o sentido do mundo transforma
na ira malvada desequilibrada
sem remorsos nos tortos destinos.

Gula sem abstinência
entorta o corpo em aparência
insaciável demência,
avareza em bolsos apertados
onde o tudo se torna nada
contente ilusão vazia
culto das matérias efémeras
no cerne amargo da sombra da alma
no calor que arde em enfermidade
na índole empobrecida.

Ana Coelho