Actos reflectidos
florescem sem raízes
no íntimo conflito...
Presos em sentimentos
de pura quimera...
Envolvem ficção sem razão
aparência de jovialidade.
A razão leva palavras vivas
a almas ansiosas...inquietas,
cegas de olhos abertos
surdas em ouvido salutar...
As vozes não são audiveis
passam no firmamento
como ventos desgovernados,
sem força para fazer voar
as folhas verdes da Primavera.
Ana Coelho
domingo, 31 de maio de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
Injúrias da Vida

Na densa névoa
Que imerge na sombria solidão da vida,
Sobressai um trecho de luz
Quando o coração já só vê uma saída.
Quando a dor é profunda,
O sentimento restringe-se á sombra que a causou,
Á luz que se apagou.
Num trecho de luz tudo pode mudar,
A existência de outro fim
Por alguém vivida.
A vida começa com a morte,
A morte acaba com a vida.
Que imerge na sombria solidão da vida,
Sobressai um trecho de luz
Quando o coração já só vê uma saída.
Quando a dor é profunda,
O sentimento restringe-se á sombra que a causou,
Á luz que se apagou.
Num trecho de luz tudo pode mudar,
A existência de outro fim
Por alguém vivida.
A vida começa com a morte,
A morte acaba com a vida.
Miriam
sexta-feira, 29 de maio de 2009
LINGUAGENS...
Percorro o reflexo de teu rosto numa navalha caída...
Duas faces de nostalgia...
Dois gumes de heresia...
Dois gomos de fruta azeda, em anemia...
Toque cego de transversal fantasia...
Com ela me ceifas a lambida dor...
Me dilaceras a trôpega respiração...
Tão real... Como a mais efémere ilusão...
Desperdício de lâmina fria...
Que rasga minha pele...
Que rasga minha garganta e me cala a voz...
Que rasga a demência do meu fel...
Que arrasta meu corpo pelas areias quentes da poesia...
De minha alma ténue, vazia...
Onde a chama cinza nascia...
Onde sons mudos ecoam...
Me perseguem silêncios...
Sobre inertes tempestades sobrevoam...
Salpicos na face de fria espuma...
Salpicos de calor que na noite são bruma...
Rosa dos ventos opostos em nós...
Falas a língua da morte, desligada da voz...
Falo-te a língua enterrada de Hebreus...
Será que só em meus olhos,
lês a revolta,
a linguagem, regressiva, dum adeus...???
Darkrainbow
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Espumas
I
as tuas mãos
quando te tocas
na maciez quente
são pele na pele
para eu cantar
um verso no papel
Francisco Coimbra
*************
as minhas mãos
sentem o toque
da tua pele
e cantam na noite
versos de mel
Mª Dolores Marques
***************
II
do momento
onde te persigo
o espaço reduzido
alarga-o infinita
-mente cuidando
dar ao silêncio tudo
Francisco Coimbra
***************
quando se sentem
quando se sentem
vazias do mundo
segregam fluídos
docemente e calma
-mente buscam-te
no fim de tudo
Mª Dolores Marques
***************
III
mudo mundo
fundo dos céus
à terra os mares
tenho assim estas
marés de Lua
Francisco Coimbra
**************
rasgam a terra
e encontram-te
nos céus alagados
encostam-se ao silêncio
dormem perpétua
-mente um sonho
Dolores Marques
**************
quarta-feira, 27 de maio de 2009
O adeus que nunca ouvi

Hoje fiquei pensativa e distante
Ao relembrar o teu sorriso,
Hoje ao relembrar o teu carinho,
O teu jeito de me tocar,
A nossa troca de olhares,
Foi tão bom recordar…
Apesar da súbita despedida,
Da ausente figura,
E do silêncio constante,
Não desisti.
Todas as memórias
Do passado eterno,
De duração efémera,
Te cruzaram no meu caminho.
Hoje sentimos falta um do outro
E é tão impossível esquecer,
Tão triste relembrar
O adeus que nunca ouvi…
Hoje quero-me lembrar.
Quero poder entrar no mundo real,
E quero sofrer na despedida
Como sofro na ausência.
Quero um adeus para relembrar.
Hoje não te deixaria partir.
Ao relembrar o teu sorriso,
Hoje ao relembrar o teu carinho,
O teu jeito de me tocar,
A nossa troca de olhares,
Foi tão bom recordar…
Apesar da súbita despedida,
Da ausente figura,
E do silêncio constante,
Não desisti.
Todas as memórias
Do passado eterno,
De duração efémera,
Te cruzaram no meu caminho.
Hoje sentimos falta um do outro
E é tão impossível esquecer,
Tão triste relembrar
O adeus que nunca ouvi…
Hoje quero-me lembrar.
Quero poder entrar no mundo real,
E quero sofrer na despedida
Como sofro na ausência.
Quero um adeus para relembrar.
Hoje não te deixaria partir.
Miriam
Juro... Para sempre
Em todos os beijos
Que me dás…
Que te dou…
Sinto a magnitude do amor
Em suspiros encantados…
Levitando em bálsamos
Que perfumam as nossas vidas.
És a metade, da metade que eu sou
Em todos os lugares…
Sempre, todos os dias…
Num tempo feito pelos dois
Surgem desejos apertados.
Sonhamos acordados,
Erguidos em poemas completos
Escritos no calor
Que acendemos os dois.
Olhares embriagados,
Permanentes…
Fixos nos nossos corpos
Suavidade do aconchego
Desenhamos traços no céu,
Escrevemos nas estrelas
Todo o encanto que há em nós.
Palavras feitas de juras de amor
Ancoradas ao nosso coração,
Se soltam… na leveza pura
Definem as raízes do sentimento
Nas baladas da paixão.
Num abraço… agarro-me a ti,
Agarras-te a mim…
Como barcos presos ao cais,
Vencendo todas as marés
Para o resto das nossas vidas.
Que me dás…
Que te dou…
Sinto a magnitude do amor
Em suspiros encantados…
Levitando em bálsamos
Que perfumam as nossas vidas.
És a metade, da metade que eu sou
Em todos os lugares…
Sempre, todos os dias…
Num tempo feito pelos dois
Surgem desejos apertados.
Sonhamos acordados,
Erguidos em poemas completos
Escritos no calor
Que acendemos os dois.
Olhares embriagados,
Permanentes…
Fixos nos nossos corpos
Suavidade do aconchego
Desenhamos traços no céu,
Escrevemos nas estrelas
Todo o encanto que há em nós.
Palavras feitas de juras de amor
Ancoradas ao nosso coração,
Se soltam… na leveza pura
Definem as raízes do sentimento
Nas baladas da paixão.
Num abraço… agarro-me a ti,
Agarras-te a mim…
Como barcos presos ao cais,
Vencendo todas as marés
Para o resto das nossas vidas.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Verbo amar

Vivemos o mesmo poema
sentados nas cores
do arco da aliança,
despidos de vaidade
no cume dos raios solares
nuvens de claro algodão
nosso ninho aconchegante.
Soletramos hinos
as tuas palavras
murmúrios das minhas
reais corpos feitos de quimeras,
teias que se desfiam
pouco a pouco.
Silêncio dos sorrisos
conquistam desejos
coágulos de luz
reflectem os olhares,
rasgam mil e um poemas
no verbo amar
à flor das faces iluminadas
esculpimos aromas
enraizados na pele.
Versos na memória fiel
brisas sopradas
obedecendo à natureza
voo de espíritos
na dança dos colibris
movidos no ventre da alma
a tinta e o sangue nos uniu.
Ana Coelho
domingo, 24 de maio de 2009
Amor incompreendido

O amor é algo inexplicável
Que surge quando menos esperamos,
Através de um olhar, um sorriso,
Um gesto, uma palavra…
É tão incerto e contraditório,
Como doce e sofredor…
O amor é um estranho meio de vida
A que nos entregamos sem pensar.
E se sofremos por amor,
Porque é tão importante amar?
Porque choramos e sofremos
De felicidade e de tristeza?
Porque nos encanta a firmeza
Das palavras de amor?
Tão lamechas e exageradas
Que nos perfuram o coração,
Nos fazem sorrir e chorar,
Sem sabermos por vezes,
O que de facto é amar…
Que surge quando menos esperamos,
Através de um olhar, um sorriso,
Um gesto, uma palavra…
É tão incerto e contraditório,
Como doce e sofredor…
O amor é um estranho meio de vida
A que nos entregamos sem pensar.
E se sofremos por amor,
Porque é tão importante amar?
Porque choramos e sofremos
De felicidade e de tristeza?
Porque nos encanta a firmeza
Das palavras de amor?
Tão lamechas e exageradas
Que nos perfuram o coração,
Nos fazem sorrir e chorar,
Sem sabermos por vezes,
O que de facto é amar…
Miriam
sábado, 23 de maio de 2009
ESQUECIDO...

Quanto mais pensas sentir-me...
Mais te afastas de mim...
Um buraco negro...
Um cemitério de sentimentos, sem fim...
*
Apenas sinto quem nada me disser...
Afasto-me a qualquer momento...
Afasto-me de qualquer mulher...
Seres criados para amar...
Seres amados para criar...
Seres que apenas me sentem no vento...
Seres de minha mágoa, de meu silêncio...
Seres perdidos em meu indefinido intento...
*
Abraça-te a este teu amado...
E jaz em mim, em pedra fria...
Abraça-te a este anjo...
Sem asas, queimado...
Senti demasiado calor de teu respirar...
Escolhi no entanto enterrar meu olhar...
Escolhi em ausências contraditórias vaguear...
*
Não esqueças quem nunca conheceste...
Não conheças quem nunca esqueceste...
Não abandones minhas asas...
Com elas voarás, ver-me-ás minúsculo como sou...
Uma pedra com asas que nunca voou...
Nunca leve como tu...
Por isso tas dou...
Sorrio à distância,
atrás duma sombra,
dicionário de penumbra...
Assim és contemplada...
Fonte de vida...
Assim por qualquer anjo serás amada...
*
Serei por ti esquecido...
Serei por mim perdido...
Serei feliz na minha vida sem nada...
Darkrainbow
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Eu me confesso
Coso os meus lábios,
Com fino fio de mel dos teus cabelos
Guardando assim no silêncio…
O segredo,
Do sabor dos nossos beijos.
Deixo-me levar nas pétalas da rosa,
Que deslizam na tua face
Invadindo o nosso ninho…
Onde crescem as raízes do tempo
De um amor que se sente
Forjado em alianças de ouro.
A música do teu sorriso…
É o vício, que me alimenta
Nos delírios doces que me arrepiam
Entre os suspiros da noite vivida
Acordando na alvorada do teu olhar.
Os nossos corpos ondulam…
Num pulsar escaldante,
Que acendem as estrelas do céu,
No tecto que a noite acolhe…
E me fazes acreditar
Neste amor eterno.
Amo… grito num sopro ao vento
Os meus olhos, um brilho sereno
Da felicidade plena que há em mim,
Amo... meu amor, assim saberás
O valor deste amor que por ti é cego
Na loucura do sentimento que me invade.
Flor doce que afoga a minha sede,
Sem ti, nunca existirá NADA
Por isso CANTO, DECLAMO… GRITO ao mundo
Utilizo sem fim o verbo AMAR,
Só a ti pertenço…
Assim o digo,
Assim me confesso.
Com fino fio de mel dos teus cabelos
Guardando assim no silêncio…
O segredo,
Do sabor dos nossos beijos.
Deixo-me levar nas pétalas da rosa,
Que deslizam na tua face
Invadindo o nosso ninho…
Onde crescem as raízes do tempo
De um amor que se sente
Forjado em alianças de ouro.
A música do teu sorriso…
É o vício, que me alimenta
Nos delírios doces que me arrepiam
Entre os suspiros da noite vivida
Acordando na alvorada do teu olhar.
Os nossos corpos ondulam…
Num pulsar escaldante,
Que acendem as estrelas do céu,
No tecto que a noite acolhe…
E me fazes acreditar
Neste amor eterno.
Amo… grito num sopro ao vento
Os meus olhos, um brilho sereno
Da felicidade plena que há em mim,
Amo... meu amor, assim saberás
O valor deste amor que por ti é cego
Na loucura do sentimento que me invade.
Flor doce que afoga a minha sede,
Sem ti, nunca existirá NADA
Por isso CANTO, DECLAMO… GRITO ao mundo
Utilizo sem fim o verbo AMAR,
Só a ti pertenço…
Assim o digo,
Assim me confesso.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A nascente dos sonhos

A nascente dos sonhos.
Lá bem no centro de ti
há uma nascente
onde bebo da água cristalina
que sacia a minha sede.
Faço correr rios de esperança
que descem as montanhas
das tuas crenças
e dos teus desejos.
Na alquimia do desejo
transformo as águas
de um rio bravo
de descidas vertiginosas
em águas serenas e estanques
onde me repouso
a sombra das árvores
que cresceram nas minhas margens.
Oiço a doce melodia
do canto dos pássaros
que alegres anunciam a primavera
as flores sorriem para mim
quando felizes se contemplam
nos espelho dos meus olhos.
Chego por fim ao mar
da tua consciência
abalo as tuas certezas
nos mares da tua existência
vivo e morro em ti.
Estou em ti e par além de ti
sou a nascente dos sonhos.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Enfrentando o caminho das verdades
Esse contínuo brilhar transparecendo felicidade
se afugenta, lentamente, no ocultar da verdade.
Quebram-se as razões do sentido, na sua saudade
e a firmeza do destino cortado à eternidade!...
Esse brilho desfalece projectando a realidade,
metamorfoseia-se teu sublime olhar,
diáspora de breves nuances de encantar,
veículo que permanece repleto de veracidade
em redondilha de profundo efeito nuclear…
sucedâneo teorema da verticalidade
num constante método nefasto de fertilizar
o chão que pisamos nesta nobre e antiga cidade
onde os traumas se confundem com o irradiar!...
António MR Martins
se afugenta, lentamente, no ocultar da verdade.
Quebram-se as razões do sentido, na sua saudade
e a firmeza do destino cortado à eternidade!...
Esse brilho desfalece projectando a realidade,
metamorfoseia-se teu sublime olhar,
diáspora de breves nuances de encantar,
veículo que permanece repleto de veracidade
em redondilha de profundo efeito nuclear…
sucedâneo teorema da verticalidade
num constante método nefasto de fertilizar
o chão que pisamos nesta nobre e antiga cidade
onde os traumas se confundem com o irradiar!...
António MR Martins
domingo, 17 de maio de 2009
Formas impuras, pecados capitais

Vaidosa utopia saiu à rua
no olhar da cobiça andou a fixá-la
opalas lentes os olhos de gentes
despidos de cristal, reflexos de soberba
juízo vulgar
vista da alma perdida sem guarida
embriagada na luxúria
pecados descuidados altares de barro
vidros de repartidas cores
formas impuras de fixar o espelho
quebrado, torcido.
A preguiça balança na escura esperança
de ver crescer sem ter que se mover,
mesquinhez invejada olhares ambíguos
ao abrigo alheio,
o sentido do mundo transforma
na ira malvada desequilibrada
sem remorsos nos tortos destinos.
Gula sem abstinência
entorta o corpo em aparência
insaciável demência,
avareza em bolsos apertados
onde o tudo se torna nada
contente ilusão vazia
culto das matérias efémeras
no cerne amargo da sombra da alma
no calor que arde em enfermidade
na índole empobrecida.
Ana Coelho
Às Claras, de Caras, Manifesto
ÀS CLARAS
leio às escondidas
sem esconder
o que sinto
quanto mais
me enleio
mais me enfeitiça
leio às escondidas
sem esconder
o que sinto
quanto mais
me enleio
mais me enfeitiça
Assim (F. Coimbra)
nos olhos claros da vontade
há sempre um meio
e um fim
na dura verdade
Dolores Marques
DE CARAS
são os teus olhos
a minha beleza
é maravilha
sentir o mar
ser ilha
digo-o de caras!…
Mim (F. Coimbra)
de frente para a luz
sou leveza no mar
sou ilha a naufragar
no rio do teu olhar
Dolores Marques
+
MANIFESTO
manifesto
sobre a inutilidade
de ter opiniões
«o que tem
de ser
tem muita força»!
R (F. Coimbra)
a força
é a vontade dos Deuses
e a realeza a elevar-me
nas alturas
TU CÁ, TU LÁ
"A união faz a força!"
E o Ser Eu e Tu
A diferença...
Dolores Marques
Desígnios sentidos
As vozes ecoam nas muralhas,
prematuro sentido da vida...
pelo cobertor em que agasalhas
a procura da tua guarida!...
Mulher, força do teu porvir
na contingência de mal maior;
procuras o silêncio não sentir,
numa dor que sabes de cor.
A vida nem sempre é como queres,
às vezes tem nuances inesperadas,
faças tu aquilo que fizeres...
A razão de assim permaneceres,
alheia a conflitos, sem errares...
é o sentido de te conheceres!...
António MR Martins
prematuro sentido da vida...
pelo cobertor em que agasalhas
a procura da tua guarida!...
Mulher, força do teu porvir
na contingência de mal maior;
procuras o silêncio não sentir,
numa dor que sabes de cor.
A vida nem sempre é como queres,
às vezes tem nuances inesperadas,
faças tu aquilo que fizeres...
A razão de assim permaneceres,
alheia a conflitos, sem errares...
é o sentido de te conheceres!...
António MR Martins
sábado, 16 de maio de 2009
Liberdade

LIBERDADE
Despi-me dos medos
que me aprisionavam
em laços de seda
e de carmim
iluminei minha alma
da luz que imanavas
libertei-me das amarras
de uma fraqueza inventada
nascida com o tempo
dentro de mim.
Amei-te assim
despida de vaidade
entreguei-te meu corpo
já cansado da jornada
acendi a chama
de um amor idealizado
alimentei-o do teu néctar
LIBERDADE .
Fora do contexto
Emergência mediática
não conferida de permeio;
do suborno ficou estática
inserida no seu meio.
Rescaldo pelo ultraje
de se ver bem apertado...
mascarado já não haje
para todo e qualquer lado.
Efervescência relativa
sem noção do sucedido,
fenómeno que não cultiva.
Influente já perdido.
ser chama já não cativa
e do contexto viu-se saído!...
António MR Martins
não conferida de permeio;
do suborno ficou estática
inserida no seu meio.
Rescaldo pelo ultraje
de se ver bem apertado...
mascarado já não haje
para todo e qualquer lado.
Efervescência relativa
sem noção do sucedido,
fenómeno que não cultiva.
Influente já perdido.
ser chama já não cativa
e do contexto viu-se saído!...
António MR Martins
PALCO VAZIO...

Actuo em meu palco,
soalho em tábuas apodrecido...
plateia vazia se ri de meu mundo...
guião esquecido...
*
surgem gargalhadas, silhuetas, sombras,
cenas inanimadas...
alimentando vidro fosco e sujo...
correndo o pano em cores esbatidas...
escadas perversas...
Falas dispersas...
destinando penumbras...
ao longe tímidas vozes latidas...
*
recolho ao camarim...
meu espaço profundo...
serei querubim...
serei tua face...
serei arco sem fim...
Que desagua a montante...
aguardas por mim...
orando a jusante...
*
entre olhar e sentir, tímido enlace...
clivagem severa,
entre tempo parado e inglório impasse...
uma lua apagada...
uma nuvem quebrada...
escondo esta pena,
que desenhou seu trespasse...
*
envolto em frágil esfera...
quem afinal represento?
Raio de sol, primavera...
uma estrada sem nome...
um farol de trevas na escuridão...
um astro sem volume...
um nada pesado em cada mão...
Um alimento, uma fome...
uma incógnita, uma razão...
*
Enlouquece e me encontras...
Ao fundo dum túnel...
Num folha perdida...
Numa rima esquecida…
Deslizando no Outono de teu chão...
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Decisões negativas
Trocam-me o passo,
a compasso,
neste correr que trespasso!...
Sem rigor me ultrapasso,
deixando teu regaço
e este esquecido espaço!...
Deixo deste lugar o terraço,
apelando a nervos de aço...
pela saudade estou melaço!...
Atitude de um vivaço,
que não sou e me desgraço...
por fim, me despedaço!...
António MR Martins
a compasso,
neste correr que trespasso!...
Sem rigor me ultrapasso,
deixando teu regaço
e este esquecido espaço!...
Deixo deste lugar o terraço,
apelando a nervos de aço...
pela saudade estou melaço!...
Atitude de um vivaço,
que não sou e me desgraço...
por fim, me despedaço!...
António MR Martins
quinta-feira, 14 de maio de 2009
A saudade esvai-se
Procuro na imensidão curta do tempo
A razão de permanecer…
Transporto-me para o passado
Ergo-me das areias do que fui
Vazada pela brisa fervorosa de ti
Desloco-me em amência de mim
Parto, chegando ao entroncamento de nós
Vacilo…por onde vou…
Meu olhar distancia-se no horizonte azul
Contemplo a viçosa planície
Povoada de bálsamos aprazíveis
De ser simplesmente aquilo que sou
Salto o imaginário imaginado
Dos labirínticos caminhos do sentir
Envolvo-me em carícias folhosas
Que desabrocha em frutos suculentos
Reprimidos de amadurecer
A saudade esvai-se
Como um rio que corre
No trilho de um novo sentir
Respiro o ar que me agita
Incendiando este fogo de te ter
Numa continuidade da paz descoberta
Nesta vida sedenta de viver
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