segunda-feira, 18 de maio de 2009

Enfrentando o caminho das verdades

Esse contínuo brilhar transparecendo felicidade
se afugenta, lentamente, no ocultar da verdade.
Quebram-se as razões do sentido, na sua saudade
e a firmeza do destino cortado à eternidade!...
Esse brilho desfalece projectando a realidade,
metamorfoseia-se teu sublime olhar,
diáspora de breves nuances de encantar,
veículo que permanece repleto de veracidade
em redondilha de profundo efeito nuclear…
sucedâneo teorema da verticalidade
num constante método nefasto de fertilizar
o chão que pisamos nesta nobre e antiga cidade
onde os traumas se confundem com o irradiar!...

António MR Martins

domingo, 17 de maio de 2009

Formas impuras, pecados capitais

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Vaidosa utopia saiu à rua
no olhar da cobiça andou a fixá-la
opalas lentes os olhos de gentes
despidos de cristal, reflexos de soberba
juízo vulgar
vista da alma perdida sem guarida
embriagada na luxúria
pecados descuidados altares de barro
vidros de repartidas cores
formas impuras de fixar o espelho
quebrado, torcido.

A preguiça balança na escura esperança
de ver crescer sem ter que se mover,
mesquinhez invejada olhares ambíguos
ao abrigo alheio,
o sentido do mundo transforma
na ira malvada desequilibrada
sem remorsos nos tortos destinos.

Gula sem abstinência
entorta o corpo em aparência
insaciável demência,
avareza em bolsos apertados
onde o tudo se torna nada
contente ilusão vazia
culto das matérias efémeras
no cerne amargo da sombra da alma
no calor que arde em enfermidade
na índole empobrecida.

Ana Coelho

Às Claras, de Caras, Manifesto

ÀS CLARAS

leio às escondidas
sem esconder
o que sinto

quanto mais
me enleio

mais me enfeitiça

Assim (F. Coimbra)

nos olhos claros da vontade
há sempre um meio
e um fim
na dura verdade

Dolores Marques

DE CARAS

são os teus olhos
a minha beleza
é maravilha

sentir o mar
ser ilha

digo-o de caras!…

Mim (F. Coimbra)

de frente para a luz
sou leveza no mar
sou ilha a naufragar

no rio do teu olhar

Dolores Marques
+

MANIFESTO

manifesto
sobre a inutilidade
de ter opiniões

«o que tem
de ser

tem muita força»!

R (F. Coimbra)

a força
é a vontade dos Deuses
e a realeza a elevar-me
nas alturas

TU CÁ, TU LÁ
"A união faz a força!"

E o Ser Eu e Tu
A diferença...

Dolores Marques

Desígnios sentidos

As vozes ecoam nas muralhas,
prematuro sentido da vida...
pelo cobertor em que agasalhas
a procura da tua guarida!...

Mulher, força do teu porvir
na contingência de mal maior;
procuras o silêncio não sentir,
numa dor que sabes de cor.

A vida nem sempre é como queres,
às vezes tem nuances inesperadas,
faças tu aquilo que fizeres...

A razão de assim permaneceres,
alheia a conflitos, sem errares...
é o sentido de te conheceres!...

António MR Martins

sábado, 16 de maio de 2009

Liberdade


LIBERDADE



Despi-me dos medos

que me aprisionavam

em laços de seda

e de carmim

iluminei minha alma

da luz que imanavas

libertei-me das amarras

de uma fraqueza inventada

nascida com o tempo

dentro de mim.




Amei-te assim

despida de vaidade

entreguei-te meu corpo

já cansado da jornada

acendi a chama

de um amor idealizado

alimentei-o do teu néctar

LIBERDADE .

Fora do contexto

Emergência mediática
não conferida de permeio;
do suborno ficou estática
inserida no seu meio.

Rescaldo pelo ultraje
de se ver bem apertado...
mascarado já não haje
para todo e qualquer lado.

Efervescência relativa
sem noção do sucedido,
fenómeno que não cultiva.

Influente já perdido.
ser chama já não cativa
e do contexto viu-se saído!...

António MR Martins

PALCO VAZIO...


Actuo em meu palco,
soalho em tábuas apodrecido...
plateia vazia se ri de meu mundo...
guião esquecido...
*
surgem gargalhadas, silhuetas, sombras,
cenas inanimadas...
alimentando vidro fosco e sujo...
correndo o pano em cores esbatidas...
escadas perversas...
Falas dispersas...
destinando penumbras...
ao longe tímidas vozes latidas...
*
recolho ao camarim...
meu espaço profundo...
serei querubim...
serei tua face...
serei arco sem fim...
Que desagua a montante...
aguardas por mim...
orando a jusante...
*
entre olhar e sentir, tímido enlace...
clivagem severa,
entre tempo parado e inglório impasse...
uma lua apagada...
uma nuvem quebrada...
escondo esta pena,
que desenhou seu trespasse...
*
envolto em frágil esfera...
quem afinal represento?
Raio de sol, primavera...
uma estrada sem nome...
um farol de trevas na escuridão...
um astro sem volume...
um nada pesado em cada mão...
Um alimento, uma fome...
uma incógnita, uma razão...
*
Enlouquece e me encontras...
Ao fundo dum túnel...
Num folha perdida...
Numa rima esquecida…
Deslizando no Outono de teu chão...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Decisões negativas

Trocam-me o passo,
a compasso,
neste correr que trespasso!...

Sem rigor me ultrapasso,
deixando teu regaço
e este esquecido espaço!...

Deixo deste lugar o terraço,
apelando a nervos de aço...
pela saudade estou melaço!...

Atitude de um vivaço,
que não sou e me desgraço...
por fim, me despedaço!...


António MR Martins

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A saudade esvai-se


Procuro na imensidão curta do tempo
A razão de permanecer…
Transporto-me para o passado
Ergo-me das areias do que fui
Vazada pela brisa fervorosa de ti
Desloco-me em amência de mim
Parto, chegando ao entroncamento de nós
Vacilo…por onde vou…
Meu olhar distancia-se no horizonte azul
Contemplo a viçosa planície
Povoada de bálsamos aprazíveis
De ser simplesmente aquilo que sou
Salto o imaginário imaginado
Dos labirínticos caminhos do sentir
Envolvo-me em carícias folhosas
Que desabrocha em frutos suculentos
Reprimidos de amadurecer

A saudade esvai-se
Como um rio que corre
No trilho de um novo sentir

Respiro o ar que me agita
Incendiando este fogo de te ter
Numa continuidade da paz descoberta
Nesta vida sedenta de viver

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Insonia da lua

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Desfolhadas nas mãos
sombras em chamas adormecidas
espelhos que o sol não deixa acultar,
num campo de puro linho
os pés abraçam a terra
a olhar o chão em flor,
o ar sustem o vento
num caminho marcado nas estrelas.

As pedras com asas
sussurram dialectos aos corvos
murmúrios perto do ouvido
no vale anoitecido
na insónia da lua,
madrigais a cantar raízes antigas
na saliva quente, desperta os rios
correm sem pressa
nas cascatas em abismo solto
na transparência cristalina da água
sacia a sede de infinito
no coração sedento do paraiso.

Ana Coelho

Parabéns Beijinho Azul

Parabéns minha querida amiga,
que este teu dia seja repleto de muita ternura,
amigos e bués de poesia.
Que a vida te dê aquilo que mais desejares,
beijinho azul.
Chegaste à Lusos em Setembro
Trazias ainda o aroma da primavera
Nas palavras a maresia do mar
Nesse teu jeito único de amar
Cativaste, poetas e poetisas
Deste imenso mar literário
Deste-nos algo único o teu beijo azul
E a tua alma, embebido na ternura dos teus versos
Permaneceste apesar dos temporais
Das nuvens pardacentas carentes de sol
Qual valente guerreiro de espada em punho
Bradaste à vida, como um tango
E venceste a guerra da sobrevivência
Com orgulho e humildade
Permaneces neste mar revolto
Envolta no respeito e na ternura de nós por ti
Beijinho azul sempre

Tudo de bom para ti amiga…sempre
Obrigado por permaneceres

Poema escrito por Liliana Maciel
http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=1762&post_id=8746#forumpost8746
Um beijo meu e que tenhas um dia muito feliz

sábado, 9 de maio de 2009

SINAL DE TI...


Alma livre e solta...
Nada a prende...
mas nosso espírito e corpo integra...
Concede-nos momentos,
em que o soturno se alegra...
Chora por dentro em si própria...
Seu teorema vital...
Longe de si... Aguardo sua volta...
Sente um amor virtual...
Como o sol no seu explendor...
À distância belo... Nos afaga......
Próximo nos aniquila,
com seu eterno calor...
No meu íntimo sinto minha vida...
Minha praga...
Um destino melancólico...
que supero com minha cor...
Nada espero de ti...
Nada espero de mim...
Tu aí... Eu aqui...
Nós, dispersos...
Numa procura sem fim...
De um lugar onde já existi...
Se precisar fugir de ti...
Para te encontrar...
Enfrentar-me, a mim...
Para te compreender...
Enfrentar teu medo...
Por alguém que já esqueci...
Por outrém que sabes, e nunca conheci...
Enfrentar meu sonho...
Por alguém que existe em teu viver...
Acordarei cedo...
Antes que o sol espreguice seus raios,
e se proponha me encandear...
Com sentimentos controversos...
Que fazem meu inconclusivo sossego alarmar...
Te acordarei com meu toque...
Te embalarei com meu sopro...
Sentes um refúgio em meu distinto beijo...
O qual procurarás com teu quente e sublime corpo...
Será a proximidade desse sol...
Em que te sentes a acordar da realidade...
Abre os olhos e vê teu sonho...
Abre os braços, e prende a minha liberdade...
Abre a alma, onde me escondo...
Faz de mim criança... Quiçá sem idade...
Faz de ti um ser mais adulto...
Castiga-me com teu sorriso...
Meu coração cego, mesmo sem pensar,
te concederá o desejado indulto...
Sente que o amor é um velho sábio...
Que tudo sabe, mas não se lembra...
Precisa ainda viver para recordar...
Precisa soltar o sentir, para ensinar o que é amar...
Entre a luz do dia e o negro da noite...
À luz da lua e seu prateado açoite...
Entre o sol e a chuva,
um arco-íris com todas as cores em franja...
É um simples tom laranja...
Que me faz sentir... assim...
Quando alguém quiser saber de mim...
Leia um livro que mentalmente escrevi...
Ou, apenas lhe resta aguardar...
Por um singelo sinal de ti...
Darkrainbow

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Flores de amor



Trás hoje
as flores que dão vida
ao meu coração,
lírios brancos...orquídeas amarelas
...rosas vermelhas...

Trás agora
estou aqui
sinto o seu aroma
contemplo a sua beleza
se destaca o teu sorriso,
que me dá amor e paz...

Trás agora...
hoje, estou aqui...
Amanhã não mais quero flores.

Quero sorrisos
sem flores...

No coração
estará aragem de Outono
adejar ventanias,
nuvens sem lágrimas a voar
ao encontro da eternidade.

Nesse Outono
as flores estarão no jardim
as abelhas
saboreiam seu néctar...
Ai está o meu sorriso
até que possa de novo
encontrar o teu...
Com ele flores de amor.

Nesse dia
sorri para mim
sem flores
nem lágrimas...

Só um olhar de amor
a saudade levarei comigo
para que a não possas sentir,
e vivas feliz,
até à eternidade.

Escrito por:
Ana Coelho

Parabéns Luis F.

Hoje é o dia de aniversário de Luís F.
Para ele vão os votos de que este dia seja cheio de surpresas e nelas esteja mais e mais poesia...


(A todos os aniversários que já passaram, eu peço desde já as minhas desculpas. Tentar saber a data do Vosso aniversário é o primeiro passo, Bjs a todos)

"Linhas Incertas" O Próximo Livro de Conceição Bernardino


A autora Conceição Bernardino e a Editora Mosaico de Palavras, têm a honra de convidar V.Exas. a estar presente na sessão de lançamento do livro “Linhas Incertas”, que terá lugar no próximo dia 30 de Maio, pelas 15.00 horas, na Casa Museu Teixeira Lopes, na Rua Teixeira Lopes, 32 – V.N.G (perto da Câmara de Gaia).
Prefaciado pela Doutora Goreti Dias
A apresentação da obra será feita pela escritora Rosa Maria Anselmo

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ISSO…

Onde chego não tenho de ser diferente, mas tenho de fazer diferente. Herdei isto dos meus pais que morreram num acidente de viação, tendo sobrado eu para contar que não me lembro deles. São deuses, da sua herança genética explico o mundo, a natureza da Natureza, cada coisa e coisa nenhuma.
Digo e percebo pedir demasiado aos deuses, a quem já nem rezo adeuses. A não ser quando, como agora, escrevo e penso que o que explica as palavras é escrevê-las, concluindo: isso… não explica tudo. Até porque não sou muda, apenas me recuso a falar. Maneira que arranjei ao ser anónima, sou só apenas palavras escritas.
É certo, arranjei um nome desconhecido do público. Deste modo, o público é anónimo? Situação a alterar, procuro, vou procurar um público com nomes. Deixarei as minhas histórias dentro das páginas amarelas das Páginas Amarelas, como se fossem um ovo pronto a ser chocado. Espero ninguém fique chocado, assim nascerá o O absoluto, o grande ovo: início e fim da sua casca!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Qual é a razão?


Julgava que eras tu a outra parte de mim
Acreditei apenas no que queria ver
Sentia-te perto mesmo estando longe
No fundo só queria o meu lugar em ti

Os momentos mais felizes do dia agora são
Aqueles que ferem o meu coração
E sofro em silêncio, não há mais razão
Para lutar sozinha outra vez…

Não dá p’ra esquecer
Se o teu sorriso volta a acontecer
Não dá p’ra negar
Que é contigo que eu quero estar
Então volta no silêncio desta dor
Aconchega o meu peito com o teu amor

Se a desilusão for a razão
O teu amor prevalecerá
Mas se for o medo que te consome
Não é razão…
Porque tenho mais medo de te perder sem tentar
Sem saber se poderia resultar…
Miriam Costa

terça-feira, 5 de maio de 2009

As nuvens choram

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Perguntei ao céu
porque choram as nuvens...
Ausências da primavera
no verão que se despediu,
tecem madrigais impossíveis
imagens fáceis e ingénuas
no olhar de uma criança.

Atravessam o céu efémero
em visões da lua
no fulgurar das estrelas.

Visão poética...talvez

Ao ler esses desenhos agora
sentimo-nos adultos sem sonhos
na utopia de ver o branco do céu
sem lágrimas
que teimam escorrer na seiva da terra.

As nuvens choram
derramam emoções em libertação
a ver crescer as estações.

Devagar
vão-se embora encostadas ao vento
...até que de novo o sol resplandeça
na aurora amanhecida.

Ana Coelho

Desejo

Algo me afogueou o corpo
Me despertou para o desejo da alma
Que te quer degustar
O sabor frutuoso
Esse licor doce
Que s' entorna nos meus lábios

O desejo de estar...
Fez-me estranhar a ausência
Adormeci num sono breve
Despertei na nudez d' um instante
Em que decidi
Saciar esta sede
No momento
Em que beberemos de nós

Sentir o tempo parar
E absorver dele a magia
Que me cobre o corpo
É alongar-me e ser duas:
Uma na terra
E outra no mar

(Rimar sem pensar
até o meu corpo se embrenhar
em fluidos doces
daqueles que emergem das funduras
e me mostram novos mundos
a desbravar)


Dueto: Dolores Marques e Octávio da Cunha

HERESIA DE MIM...


Surjo a qu(A)lquer momento...
Pondo em causa o se(R) de mim próprio...
Neste mundo fe(C)hado, só eu...
Isolad(O) martírio...

Sou m(I)nha terra natal...
Sou amor... Pe(R)petuado em desconhecido mural...
Sou ser emp(I)rico...
Sou meu mai(S) acérrimo crítico...
Sofro por ni(N)guém, minha dor...
Sou limite d(E) meu céu...
Sou meu ne(G)ro Deus...
Sou he(R)ege de mim...
Sou imperad(O)r de ateus...


Assassino dum sonho meu...
Se me suicido,
para me libertar de ser réu...
É nobre deicídio...
Mas quem sobrevive...
Sou eu...
Darkrainbow