sábado, 21 de fevereiro de 2009

Percorro o meu caminho


Percorro o meu caminho
O meu fado o meu destino
Ora só, ora acompanhada
De amigos, de gente desconhecida
Percorro-o ora lenta ora apressada
Sem querer saber o términos do caminho
Num constante caminhar
Por estradas desconhecidas
Interagindo com pessoas amigas
Ou com pessoas desprovidas de carinho
Caminhando sempre
À luz do sol, da lua, das estrelas…
Na noite escura e sombria
Com a alma dorida, entristecida…
Mas… o meu ser caminha erecto
Sem fraquejar, nem desanimar
Sabendo que, o caminho por fim
Tornar-se-à coberto de pétalas de rosas
De amores-perfeitos, de lírios brancos…
De sonhos coloridos.
Por isso tento sempre caminhar
Viver e continuar a sonhar

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Quantas Serão...




Poema escrito por Conceição Bernardino e lido por Vóny Ferreira


"QUANTAS SERÃO..."

Uma criança de olhar rasgado

impetuosa, de maus tratos

afagados de lonjura,

sequiosa de mil carinhos

brinca com a fome

nos vales da miséria,

num infantário descampado

de doença e tortura.



Já se escondem entre a morte

e o cheiro nauseabundo

de um mundo que se faz de cego

a tantos campos de concentração,

onde as crianças permanecem

sem qualquer sonho,

sem qualquer ilusão,

à espera de um tempo que não passa,

onde o sol brilha

sem qualquer graça

E a incógnita fica:



Amanhã quantas serão?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Lágrimas Correntes que Adormecem

Somos o improvável
E o consciente ser
Num mundo
Onde cresce o saber

As cidades dormem
Ao fundo...
Os rios cantam melodias
E nas noites frias,
Há um sol que adormece

Morre a eterna dor
Do conhecimento
E e as dúbias cenas
Encantam num palco raso

Alargam-se sorrisos
Os pirilampos dançantes
Bafejam num mar
De sonhos

Nas horas
Em que o vento sopra
Escondem-se nas orlas
E nos barlaventos

Perdem-se em lamentos
Choram lágrimas
Que adormecem
No rio corrente

Mª Dolores Marques

Nosso Jeito de Ser

Imagem de André Louro de Almeida Somos suas ruas, suas praças, seus jardins
Suas escolas, seus professores e seus alunos...
As suas regras e as suas crenças, somos.

Com nossos olhos, enxerga
Com nossos cérebros, pensa
Com nossos braços, trabalha

A melodia...
A poesia, as lágrimas... Tristes
Em nossos passos caminham!

Os hospitais, os presídios, os asilos
Onde nada é belo, em nosso corpo
E em nossa alma, vivem!

As crianças nas ruas pedindo
Os esgotos, os lixos, somos nós...
Na imensidão de nossa burrice!

Ó querida cidade!
E o espelho da vida, por tamanho
Impropério, gargalha.


Ulysses Laluce

Premio - Sobreviventes ao Romantismo


Aqui apresento o primeiro selo criado pelo blog Sentimento Calmo intitulado de "Sobrevivente Ao Romantismo".Com este pequeno prémio, pretendemos honrar as pessoas que ainda se regem pelo coração. Que percebem o que é o verdadeiro amor, que lutam por ele, e o conseguem transmitir na sua escrita. Pretende-mos ainda vir a conhecer com isto mais sobreviventes ao romantismo.Este prémio foi-nos entregue pela nossa amiga e colaboradora Liliana Maciel

Este prémio obedece ás seguintes regras:
1) Exibir a imagem do selo;
2) Linkar o blog pelo qual se recebeu a indicação;
3) Escolher outros blogs a quem entregar o Prémio Sobrevivente Ao Romantismo.
Aqui estão os premiados:
De entre as pessoas que estão aqui adicionadas, penso todas já terem recebido o prémio. Agradeço em meu nome para este blog, o gesto da Liliana.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Galgo o asfalto


Galgo o asfalto vertiginosamente
como se quisesse planar o cosmos
Sinto o silêncio do meu pranto
resvalar suavemente
pelo meu rosto marejado
sedento de ti

Galgo mais e mais incessantemente
encurto o tempo, que o tempo me dá
e lá onde as ondas dançam
em vagas espumosas,
onde o horizonte é a paz
que me acalma,
encerro as pálpebras e voo
em nuvens solitárias
banhada pelo sol luzidio.

O vento docemente afaga-me
sussurrando brisas idílicas
desvendando segredos em mim
o meu corpo impetuoso relaxa
ao sabor da tua voz
à cadencia do teu sorriso
percutindo no imaginário recordado

A minha mente distancia-se
com o fervor de um pássaro audaz
livremente nas águas frias do oceano
sentindo o ardência de ti

Sacio a saudade insaciável
mitigo a vida que acontece
nesta distancia mensurável
deste diáfano sentir em mim

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

FURACÃO


Fui apanhada no meio do furacão???
Pois fui e…depois…?
Qual o problema?
Do meu chão pouco ficou???
Pois foi e…depois…?
Qual o problema?
Estou transformada???
Fiquei calada???
Pois foi e…depois…?
Carambas qual é o problema???
- Ficaste a vê-lo chegar e não fugiste
Pois não e…depois…?
Qual é o problema? Xiça
Eu vi o furacão chegar, numa tarde de Novembro
Ferrei os pés no chão e esperei para enfrentar
No centro entrei
Rodopiei e voltei a rodopiar
Bati em mentiras, não conseguia respirar
Tropecei em factos, ahhhh c’um raio mais parecia um cão a farejar
Vai e vem maluco no meio do rodopiar
A cabeça estava zonza de tanto equacionar
Caí no chão com um desembestado trambolhão
No passado fui buscar a gana da raiva
No passado fui buscar a raiva da garra para continuar
Estou cansada???
Naaaaaõ
Estou só …EXAUSTA
Aproveito esta espera do final do vento
Descanso igual a criança adormecida
Estou arranhada, estou ferida, fiquei amputada
Preciso de tempo e forças para erguer toda uma vida

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Sonho cristalino



Quando fecho os olhos
Sinto o silêncio da tua alma no meu corpo
E a brisa fresca da noite gela-me os sentidos
Perco a noção da vida, esqueço-me de viver.
A madrugada leva-me longe,
Longe do mundo e da saudade,
Dos gritos frios da monotonia.
Quanta calma, quanta paz
Abraça o meu cansaço
E despe de mim as roupas da nostalgia
Lá longe não sei aonde, aonde tudo é cristalino
Como as águas que nascem no horizonte.
Os desejos são eternos e as vontades mendigam
São como a luz de quem não vê e os olhos
Que tudo invejam
Quando fecho os olhos, não durmo, viajo
Para lá da eternidade...
Conceição Bernardino

SEDE DO SILÊNCIO...

Sonho que sou sonâmbulo...
num mundo desconhecido...
percorro caminhos abissais...
percursos em que acordado deambulo...
percursos que em teu olhar nunca são iguais...
preciso calar esta revolução sonora...
Realidade do presente...
sonho de outrora...
Queimar esta fogueira com gelo em mim...
Caminhar descalço sobre fogo em ti...
Povoar meu deserto...
minhas ideias te chegam faseadas...
Ditas, mas mal argumentadas...
és o meu "monstro"...
minha divagação instantânea...
Eu para ti apenas um leve sopro...
Que te causa apenas breve erupção cutânea...
Meu toque é uma dádiva em silêncio...
Teu natal efémero...
Meu nascimento tardio...
Sozinho num velho casebre...
Sem progenitores...
Parido para o mundo que meu propósito não me serve...
Ao longe se afastam em penumbra ténue...
Minha alma existe desde o início dos tempos...
Tua alma que chama...
Exala sentimentos...
Meu corpo persiste...
Meu olhar insiste...
Num raio de sol que em riste me encosta a uma decadente parede...
Sem defesa me agacho...
Em ventre me transformo...
Acordo na noite...
Onde me disformo...
Acordo para ti...
Num circo sem rede...
Acordo para mim...
Teu silêncio de sede...
Darkrainbow

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Realidades Alternativas

O universo das palavras
Mostra-se desordenado
E paralelamente
Um canto perdido

Versos delinquentes
Vozes corrompidas
Soltam uivos aos ventos
Morte encenada
Numa longa estrada

Canção iletrada
Ecos de nada
Musica cismada
Engendrada
Nos corredores da alma

E as estrelas
Baixam os segredos
Declinam o sol
À inconstância do que reluz

Às cegas
Correm desvairadas
Em carreiros incendiados
Entre o alegórico
E o mútuo reconhecimento da dor

As luzes brilham só por um dia…
Visão singular enquanto dorme
A alma esvai-se
Procura-se num compasso
Ritmado…a dois!

Plantados na mudez solarenga
De um poema
Soltam-se dos beirais dos telhados
Respingues da chuva

E a fluidez dos versos cantados
Abrem-se às gotas de orvalho
Vislumbram-se novos trilhos
Arrastam-se nus
Nas pedras da velha calçada

Onde te escondes?


Onde te escondes no meio da multidão?
Por de trás de que rosto?
Por que caminho vagas?

Onde te escondes nos meus sonhos?
Em que nuvem voas?
Em que onda flutuas?

Onde te escondes no meu pensamento?
Não vejo nenhum rosto,
Não recordo palavras…

Onde te escondes nas noites ao luar?
Serás a estrela que mais brilha,
Serás a estrela Polar?
Será essa a tua casa,
Será esse o teu olhar?

E as palavras que procuro,
Serão elas ditas no silêncio da noite?
Será o teu toque tão suave
Que me aconchega no meu leito?

Serás tu a razão da solidão?
Do meu viver atordoado,
Da ausência da paixão?
E que razão
me dás para viver?
Se o teu rosto desconheço,
O teu toque e o teu cheiro…
As palavras caladas
Num silêncio ensurdecedor…
Nem um olhar de magia,
Nem um sorriso arrasador…
Nada me dás se não a angústia do desejo,
O pecado da curiosidade,
A incerteza de um amor…

Mimmy

Hubbard


Há um barco à deriva
nas palavras e gestos
amarrotados no mar onde
escondo os pensamentos
para não serem iluminados
por mais ninguém
mesmo que tragam flores
na mão e paz nos bolsos
para ensopar de sangue
as guerras sem limites
se os homens sem olhos
não sabem ver o chão.

Que pisam.

Descontentes mas vibrantes
de segredos mal escondidos
escritos e esquecidos.
O lirio branco, um gostar
sem fim de jardins proibidos
infinitos de sal nos olhos
e sussurros de vida
transparentes, palpitantes
caíndo a direito sobre
o peito à maré vazia
onde pés molhados prometem
pisar a areia se a onda
morrer no horizonte.


domingo, 21 de dezembro de 2008

Fascinação




Que lindas!
Que belas!
As estrelas no céu sem fim!
Olho para elas
Elas para mim
Que lindas!
Que belas!
As estrelas no céu sem fim
Mas... é dia...
Ah, já sei!
Dormia...
Sonhei...
Mas... aquelas estrelas
Tão lindas
Tão belas
Que eu vi lá nos céus...
Estou a vê-las
Meu amor
Nos olhos teus!

Conceição Bernardino

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Cacharolete

Atravessei quase a pé
a angústia das palavras
polidas no teu olhar
que viaja rompendo
as copas das árvores
vivas e sem raízes
onde acaba o
cacharolete das palavras
que tinges de azul

Magenta e limão
tons, cheiros, costumes
áridos e secos de
felicidade redonda e seca
espalhada ao acaso
nos olhares
que amanhecem
nas planícies sem água
do deserto
em vagas incertas
de lamentos repetidos
desencontros e mentiras
com eco de quatro passos
que trincam o soalho
do hotel de Praga
mal iluminado e bafiento.

Os lençóis são
limpos e frios
aquecidos com tempo
e olhos vendados pelo
coração da menina
que foi à escola
para não aprender
que nunca se morre
nos meus olhos
mesmo que mintam
à superfície, para
proteger a carne nua
das miragens que
se vêem ao longe
fora da calmaria
das bússolas com
azimutes de trazer para casa
paixões perdidas
porque estamos sós
e não seguramos
o bater das asas.

Calvário

Nos ombros... A Cruz
Destino por si próprio traçado
Vida sob o comando da vida!

Preso aos cravos da Cruz
Num palco não apropriado
Para si atrai o olhar da eternidade!

Insere no tempo
Não uma simples Cruz
Mas o sinal dos sinais...

Numa profusão sem limites
Florescem as rosas
E o sopro perfumado de amor.

Ulysses Laluce

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Contra-Senso

Que as palavras que não escrevo
Me sigam em pensamento
E as vozes que não ouço
Se fustiguem num só sopro
Que circulem com o vento

Que os nomes que não lembro
Me façam criar a eternidade
De um momento
Um mero acaso que se define
Neste contratempo

Que os sonhos que não sigo
Se concluam com o tempo
Visão alucinante...
Um olhar, um contra-senso
Nos limites deste centro

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O mar no meu olhar


Escuto o sussurrar do mar
Segredando segredos inaudíveis
Como uma carícia humedecida
Afagando o calhau vivo da praia
Num vaivém ternurento de prazer

E eu que faço?

Banho-me nessas ondas espumosas
Onde mergulho sem temor
Consciente da época invernal
Que importa

Em murmúrios flamejantes
Dispo-me das sombras enegrecidas
E visto-me do soalheiro do sol
Brilho ameigada pela quietude
Dessas águas cristalinas
Da ardência do meu sol
Cintilando em céus límpidos
Em melodias sensoriais
Em corpos vestidos de amor
Perco-me na imensidão de sentires
Feliz de ser o que sou
De usufruir das ondas e do sol
Desta minha ilha seduzida
Por ti….. praia idílica

Onde o horizonte longínquo
É a quimera do meu sonho de mulher

domingo, 14 de dezembro de 2008

Intemporal (Do you want to make a memory...)


Penso-te em ondas de desejo
único,
violento
repetido,
colorido,
intenso,
perfumado,
assim o beijo sem fim
eterno enquanto dura.

Olhas-me
e o tempo pára
tocas-me
e reeinvento o momento
contínuo movimento
mágico
fascinante,
impossível
como tu.

Nascido em mim


Canto este fado
Nascido em mim
Em tom alinhavado
Com notas de cetim

Dizem ser saudade
Chamam de dor
Eu tenho para mm
São lágrimas sem cor

Estrelas semeadas
Luas enfeitadas
Sois procurados
Constelações viciadas

É tudo o que tenho
Nesta lembrança cansada
Fica o esperar
Nesta saída emparedada

Escuro infinito
Percorro tacteando
Ao fundo a luz
Para mim acenando

Com notas de cetim
Canto este fado
Nascido em mim
Em tom alinhavado

SOZINHO...


Suspeito que me invado constantemente com sonhos de outrora...
Suspeito que sonho, ausentemente, onde me encontro agora...
Estarei ainda contigo...???
Estarei além...???
Estarei sozinho... mas ausente de quem...???
Ardilosamente, rastejam até mim...
Inconscientemente, permito a aproximação, ilícita...
Insistentemente, afasto quem sinto, de relance...
Enfim...
Mantemos a distância segura, em que insisto...
Nunca sentimos que esta esteja explícita...
Sendo assim... Estou sozinho...
Mas sozinho e ausente de mim...???
Será este pensar em que não existo...???
Suplico-me para voltar...
Sem mim... O nosso plural se voltará a ocultar...
Apenas tu existes...
Mas onde...??? Ausente de quem para estares aqui...???
Não sabes onde navegas...
Não sabes quando sossegas...
Não sabes... Mas eu sei...
Quando ausente de mim te encontrei...
Este será meu julgamento...
Serei o arguido...
Sem defesa possível, vocifero, escrevo, grito...
E serei ouvido...
Mas nunca serei escutado...
No peito... Um orgão sem música, lancetado...
Defendo-me de mim...
A qualquer hora...
Por um momento...
Defendo-me de ti... Quem sabe, de forma sucinta...
Mergulho no mar, no rio, na chuva...
Mas minha alma nunca será limpa...
Molhado, húmido até à raiz da desorientação...
Vejo uma infindável, eterna, uma nómada multidão...
Será que ali passaste...
E em momento de cansaço inevitável, meu olhar com o teu não cruzei...
Meu olhar baixei e minha turva visão quebrei...
E não o cinzento, nem o vento de tua sombra...
Apenas vislumbro a usual penumbra...
Não presenciei tua real cor...
Mas existe... Eu sei...
Do alto do teu canto vês um abandonado monte...
Naufragado na rocha, ali jaz um encarnado ponto...
Num mar escuro de proíbido azevinho...
Local ideal para um rasgado e visual encontro...
Minha água ali corrente, onde será sua fonte...???
Quem me vê és apenas tu...
Aquele singelo ponto... Apenas eu...
Sozinho...
Só a paixão existe...
Só eu estou triste...
Nada, nem ninguém neste local àrido subsiste...
Apenas um desalinhado caminho...
Onde me procuro, e encontro...
Sozinho...
DARKRAINBOW