terça-feira, 11 de novembro de 2008

Adeus


Despeço-me de ti
numa melodia sem compasso
noites longas
de um mês interminável.

A Lua
invade-me o refúgio
indiferente à minha vontade de ficar só.

Deito-me,
o corpo lânguido,
ansiosa a alma
e o pensamento.

Se soubesses a dor do esquecimento,
talvez não insistisses que eu ficasse...

Vou partir!

domingo, 9 de novembro de 2008

Menos um...amanhã


- Rapariga diz alguma coisa, chora ao menos, pelo menos sente raiva…não guardes as coisas assim para ti, sofrer dessa maneira e sem reagir isso não é normal
Disseram-me com voz de conselho em tom sabedoria
Nada respondi, de olhos silenciosos sorri
Neste AGORO que vivo, que até não é de todo desconhecido
Não preciso de nada falar…nada tenho para falar
Vou dizer o quê … que perdi uma vez mais por mãos que não foram as minhas???
Perdi realidades por escolhas que por mim não foram feitas???
Grande coisa isso até não uma descoberta…é simplesmente um AGORA igual a outros AGORAS
Chorar… carambas acham que vou dar de bandeja aquilo que me sobra???
Já que tudo sempre perco pois então…que ao menos fique com as lágrimas para mim…essas eu não dou nem deixo fugir
Sentir raiva do quê…só se fôr porque estou viva
Estar viva é uma grande chatice…cansa, satura e é repetitivo
Não vejo qual o interesse nisso
Sofrer…quem lhes disse que sofro???
Sofrer é para quem ainda consegue sentir
Sofrer é perder ou procurar alguém ou alguma coisa
Estou altiva na minha imunidade
Estou segura daquilo que sou capaz
Não quero saber do DEPOIS
Basta-me saber que o Hoje é menos um AMANHÃ

Breve nostalgia


Penso-te
em melodias antigas,
breve anoitecer sem lua
a memória dos teus dedos
no meu corpo
nu
o olhar que se demorava
no meu
de todas as cores,
arco-íris sem chuva.

Penso-te em tons de azul,
verde,
cor da saudade que evito
nas noites
que invento contigo
neste tentar resistir
à dor
nesta aparente
indiferença.
neste fingir
não sentir
quando te encontro
e me olhas
ou
simplesmente
quando te lembro
como agora...

Tenho que te esquecer...
...e tu ainda me lembras?

Esconderijo

Onde me escondia
Não sei de quê
Nem de quem
Talvez de nada!

Como será que via o mundo e a vida
Nessa cabana fechada de arbustos
Tão pequena que me curvo para entrar?
Mas, imensamente fantástica, para sonhar!

Refugiava-me para fugir de castigos (pura invenção)
Uso um paletozinho de lá e limpo o nariz na manga
Depois de repetir várias vezes, fica todo vitrificado!

As indagações não versavam sobre o mundo, a vida...
Ou teologia... Tudo pela insensatez, resolvido...
E com aquiescência da ingenuidade do desejo.

Ulysses Laluce
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=59165

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A Outra Face

Imagem de Jet
Existo mas não sinto
Ficou-se pela mão do destino
Choro e não me escorrem as lágrimas
Secaram as nascentes
Perdi-me dos rios que correm para o mar

Encontro-me no limiar de um sonho
Sou eu neste paradoxo
Entre a realidade e a ficção
Mas sou eu sempre
Existindo e acontecendo...

Encontro-me sempre por aí
Em corpo presente
E no silêncio de mim
Desvendo a outra face
Aquieto-me em ondas de cristais
Acendem-se os caminhos que percorro

As visões sobrepõem-se a mim
Num só momento
Mas volto a ser eu
Nesta existência que se estende
No vácuo inexistente

Mª Dolores Marques

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Titulo??? Alguém que o ponha...

Deitada na cama, bebo uma caneca com chá, enrolo um cigarro e sorrio e recordo os tempos em era estudante, para poupar uns trocos
Olho para o ecran branco que por mim espera
Quero escrever…quero muito escrever
Mas dentro de mim nada tenho de sentimento
Não é vazio…esse conheço de ginjeira…em tempos fomos companheiros
Apenas não sinto…nada sinto
Não me afogo em raiva
Lágrimas não as sinto
Tristeza não pressinto
Rir não consigo
Escrevo….deleto
E volto a escrever…para deletar novamente
Mais um golo de chá e ajeito o edrdon e almofada
Volto a escrever e continuo a não sentir nada
Igual a uma casa
Sem moveis, sem cheiros, sem barulhos…sem nada
E que é largada pelo dono ao rodar a chave pela ultima vez
Não sinto nada



De Loucos Todos Temos Um Pouco

Se soubesses como me reinvento
Nestes lamentos
Que me consomem
Com o passar do tempo

Chora-me a alma
De não saber como ser
Neste mundo alucinado
Onde me deito
E ajeito

Gostava de saber voar
E levar-te a ver as estrelas
Talvez o seu brilho
Te banhasse
E te ajeitasses no meio delas

Só elas entendem este meu jeito
De não ser o ideal perfeito
Para entender
Os rostos alienados
Que afluem neste paraíso
Onde todos de loucos
Temos um pouco

Deixem-me ser também
Um pouco de gente
Neste mundo
Que é mundo perdido
Por nem saber
Como ser louco

Mª Dolores Marques

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sou vida, sou poema, sou arte

Nunca existi, pertence ao passado
Agora sou vida, sou poema, sou arte
Que rasga o ar invernal
Vaga sofregamente
O meu manso mar
Rompe a fronteira do imaginário
E desagua… ai no teu revoltoso mar
Sente a aragem adocicada
Deste meu sopro infindável e real.
Respira a nostálgica maresia
Aspira a doce liberdade
Dessa onda gigantesca
Que te sulca a pele
Fazendo-te desfalecer
Na mansidão do luar

Espreita-me a alma
Conhece-me……abraça-me.

Liliana Maciel

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Suspiro


A dor afoga as lágrimas
na memória em ferida.

Recordo-te em
olhares verdes
ternos
e fugidios.

A realidade cai
d
i
r
e
i
t
a
ao peito
entre recuos e avanços
de emoções em turbilhão.

Quisera então dizer-te,
amigo,
que hei-de estar sempre
para ti,
mesmo que
dividida,
moribunda,
a alma em ferida...

...Hei-de estar sempre aqui,
para TI.
Sempre.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Reflexos Lunares

Imgem de Jet
http://olhares.aeiou.pt/uma_porta_para_o_infinito/foto408201.html
Feitiços lunares matizam as cores do asfalto
Silhuetas bélicas riscam o céu
E os fragmentos leitosos que banham a cidade
Lançam um breve olhar às portas do sol
E o brilho da lua inexpressivo

Pétalas suaves de algodão sacudidas pela força do vento
Caem inertes na madrugada fresca do rio
Levita imutável desejo e lágrimas rolam pelo chão
Adormecem olhares, ecos difusos
Num doce beijo rente ao alcatrão

Reflexos mistos de afectos
Agitam-se no frio movimento da cidade
E o ar volta a sentir a densidade do tempo
Só o beijo da lua acorda a suavidade estática do momento
Mas fechou-se neste sol de verão

Mª Dolores Marques

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

As vezes que morri...

Encostada no sofá oiço o cantar da chuva embalado pela música do vento
Procuro carinho na manta do seu abraço quente
Fecho os olhos, e vencida as lágrimas rolam
Quantas vezes já morri???
Não me lembro
Quantas vezes renasci???
Talvez não me queira lembrar
Olho para minhas mãos e o que tenho de meu…é tão somente os caixões em que me deito
Vitórias… essas, sorrio sempre com seu sabor tão amargo
Sinto o calor da manta que me enlaça como num feitiço
Penso no DEPOIS…e fecho os olhos
Acho que não quero mais saber de voltar a morrer
Eu sei que vou voltar a nascer SIM
Ahhhh como vou voltar a nascer
Mas esse nascimento que seja para mim eternamente infinito

Traços atávicos



Encosto-me na cadeira
olho o horizonte,
cai em mim a paz da aldeia
num entardecer lento
e fresco
a lembrar os últimos dias de Agosto.

Tento afastar-te da memória,
concentrar-me no percurso de uma formiga,
nos sons que me chegam devagar,
nas pedras de granito
à minha volta,
num pássaro
que insiste em chilrear
perto de mim.

Os cães reclamam a minha atenção,
a família chama-me...

...Mas eu não estou:
viajo em segredo,
nua,
despida com ternura,
de olhos rasos de água...

Na janela do devaneio


A lua prateada apaga-se
No pardacento da noite
Os sentires transmutam-se
Na saudade perene
Os pensamentos voam
Os sonhos aparecem
Na janela do devaneio
Do meu olhar ardente
Na melodia das palavras
Das notas poetadas
De uma canção sufocante
De mim simples mortal

Perco-me na intemporalidade dos sonhos

Dos quereres asfixiantes
Nesta noite Outonal
Onde o nada é tudo
Na imaginação de ti
No sufoco de mim
Só eu e o ilusório imaginado
Neste poema delineado
Pela alma privada
Que sente como gente

Liliana Maciel

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Um Novo Céu dos Poetas

Da minha janela aberta para o mar
Invento um novo céu dos poetas
A liberdade dos sonhos livres
Está mesmo ali para mim

E eu não sei para onde vou

Extasiados neste mar acordam os astros
E na terra dormem já as novas estrelas
Trouxeram um céu aberto junto com elas
Os tempos trasladaram os poetas

Desvendam nas funduras
Naus perdidas, caravelas desviadas
Jardins alheados de outros sóis
Querubins entristecidos

E o foco da lua cheia não sabe o que isso é

Mª Dolores Marques

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pecado



A música
e uma história de inverno
a cabeça estremece
o corpo recua
uma noite
estranha
o
vómito,
as lágrimas nos espelhos
eu
à deriva
chuva no olhar

onde estão todos?

Queria
desaparecer
viajar

recomeça a fuga

os sorrisos sem cor
e
as mãos sem dono

TU e EU
sem mim

conheço esse olhar
já sei que vais ficar
comigo

por instantes
eu adormeço...
...e as bocas t(r)ocam-se...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Jardins proibidos


Os dias (es)correm
d
e
v
a
g
a
r
ao ritmo do tempo.

Breve voar.
Singular,
primordial,
musical
o
momento.

Suave o toque
pianíssimo
no ventre em crescimento
fugaz a vida
que se esvai
em paletas de luz
viva.

Regresso
de Verão
permanecer os olhares verde-mel?

Sossego.
O silêncio
corresponde ao (meu) amor.

Mas
e se a noite é morte
e eu não existo?!


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Expectante

E eu permaneço aqui…expectante.
Calo-me nessa imensidão de sentires
Espero
Reflicto
Nessas tréguas…. amigas
Vividas em corações perdidos de si
Que se encontram
Nos caminhos virtuosos da amizade
Etéreo sentir do ser mortal e imortal
Ávidos de calor rejuvenescido de dar
Sinto as vossas fragilidades
Sinto-vos daqui ao longe
Onde os quilómetros são reais
E intransponíveis neste momento no tempo
Que o tempo nos dá
Abraço-vos, num abraço misto de ternura,
Compreensão e perpetuidade intemporal
Amizade sempre aqui, ali….
Onde o horizonte se une ao doce mar azul
Na eternidade do meu ser carente de vós

Espero a tempestade esvair-se suavemente
No ameno amanhecer da vida almejada
Espero-vos da lonjura do que sou
Submersa nesta ternura de vos dar
Sem pejos, sem inibições….. livre.
Assim como sou…

Liliana Maciel

O Derradeiro Encontro

Imagem de Bárbara Elias
Sinto-me na presença de uma lágrima
Que se esqueceu que existe
Gemidos contidos
Abrigam-se imunes ao calor das emoções
E perdem-se nas ausências sentidas

Fui puxada pela corrente de um rio que dorme
Já não sei nada
Mas de igual para igual
Há um tudo no nada existente do vazio
Ouço-te e não vejo a saída
O túnel alarga-se ao fundo

Vislumbro uma réstia de luz
Na totalidade do mundo
Aguardo por um novo amanhecer
Sinto que me vou sem ir
Quero-me por inteiro

No derradeiro encontro serei eu..

Mª Dolores Marques

domingo, 19 de outubro de 2008

Ulysses Encontro-me no Tempo da Saudade

O tempo da verdade em que me dou
em cada amanhecer no presente
quando te espero e não te encontro
já nem sei se volto a ser
o que já fui

Mas por todas as casas
que ficaram esquecidas
eu vejo sinais de um tempo
quero ir pelas ruas desertas
encontrar-me no tempo da saudade

Ele está sempre ausente
tristezas que se mostram
sorrisos que se perdem
e eu sou só uma lembrança

Vagueio por aí onde se ouve o vento
crio-me nos mares da saudade
e sou sempre um jardim presente
invento-me nos sorrisos das crianças

Mª Dolores Marques

Minha Cidade

Uma cerca sofrida perde no tempo alguns balaústres
E o telhado coberto de bolor, suas cores,
E num profundo silêncio, com jeitinho de um “sim” de amor
Uma rosa mostra o brilho de um sorriso perdido nas rugas do tempo!

E essas casas, que dizem de gerações imortais
Encarnadas em profundos sinais de um outrora
Sobreviventes em nossa saudade
Ainda me olham!

O transitório e o efémero
Perdem lugar para o eterno
E o espírito caminha por todas as ruas

Por todas as casas
Por todas as lembranças
Por todas as secretas saudades.

Ulysses Laluce

http://www.usinadeletras.com.br/