quarta-feira, 20 de junho de 2012

Hoje apeteceu-me escrever-te

Naquele dia parti meu amor, sem saber o que me esperava, levava comigo o perfume da saudade, aquela saudade que se me entranhava nas entranhas e me deixava um doce amargo na boca, mas o sol brilhava na janela do meu olhar. Era um daqueles dias em que me afastava do tempo e a vida, aquela minha vida rotineira desaparecia.

Toquei-te com a ponta do pensamento e o meu corpo saltou, ansioso, desconexo, impaciente e as mãos vazias destilaram paixão.

 Ali estavas tu no barulho da cidade, esperando-me e nos meus olhos dançaram borboletas, é sempre assim quando te olho, e vejo o negro cintilante murmurar-me palavras quentes, poesias feitas de seda, que esvoaçam no meu peito arfo.

 Nas entranhas, entranhou-se-me a sofreguidão do tempo e os nossos braços ávidos, acoplaram-se aos peitos loucos, naquela manhã datada na nossa memória.

 E o tempo parou, testemunhando aqueles momentos que nos tomaram de assalto e o preço do resgato foi a nossa loucura, num leito coberto de pétalas, num quarto qualquer e ficamos ali, sem memórias, deleitando-nos no calor dos corpos como se fossemos eternos, ouvindo os nossos lábios num murmurar só nosso. Lembras-te?

 Depois… regressei e no olhar o mar dançava em pequenas pérolas que deslizavam pelo meu rosto feito de felicidade e de aromas mil.

 Hoje apeteceu-me escrever-te e dizer-te o quanto te amo

 Escrito a 12/06/2012

1 comentário:

PÈTALA disse...

Olá Liliana

De saudades se faz fogueiras
Que dão luz na escuridão
Ultrapassando barreiras
Que ensombram o coração!

As naus largaram âncoras
Navegando sem rumo certo
Levando orvalho em ânforas
Para refrescar esse deserto!

Nesse planar de céus em flor
Ao som de guitarras coloridas
Campos se abriram de amor
Lembrando ceifas colhidas!

Mas quem frutos semeou
E melhor os soube tratar
Andando por onde andou
Nunca esquece esse amar!

Beijo