sábado, 12 de março de 2011

Nascem pássaros nos meus dedos

Estendo-me sobre o deslumbramento
do orvalho derradeiro
o campo eliminou o nevoeiro
o céu avança
irradia sonhos
e velas desfraldadas
o mar entende o absurdo
do meu eco

a seara é segura
nos meus olhos de raízes fundas
e fadiga iluminada
o fogo substitui o espelho nu

nascem pássaros insubmissos
nos meus dedos
sóis
poeiras das estrelas

e o caminho
é além dos meus umbrais

trigo
fermento

árvore
tempo


Marialuz

1 comentário:

Natalia Nuno disse...

Só para dizer que amei este teu poema, leio nele o mel da alma, a saudade, um encanto.

Beijinho